25 de agosto, 2016

sabe por que eu me casei com você

SABE POR QUE EU ME CASEI COM VOCÊ?

O tempo foi passando e foi ficando sem-graça os momentos sem você. Você se tornou minha mania, porque passou a entender as minhas manias, e eu as suas. Fui entendendo a imperfeição do Ser, mas dois imperfeitos – em um mesmo propósito – podem fazer a vida menos imperfeita. Com seu amor, a vida é mais próxima da perfeição.
No nosso mundo quase perfeito, eu já conheço que você gosta de tapioca e brigadeiro. Você conhece o meu gosto pelos filmes de Velho Oeste. A gente se diverte vendo Friends e cantando Lulu.
No nosso mundo quase perfeito, sei que você ama o edredom mais velho e o silêncio aos domingos de manhã. Você conhece minhas emoções pelo Roupa Nova, minha adoração completa por Fusquinhas. A gente se diverte lavando os banheiros para receber visitas. E como é engraçado a guerra de água do balde.
No nosso mundo quase perfeito, usamos a primeira pessoa do plural. Nós nos defendemos de nossos defeitos. Aprendemos com eles. Temos taras parecidas, não escondemos o tapete nem a sujeira. Somos dois aprendizes do amor.
No nosso mundo quase perfeito, sei que você adora cães e, apesar de eu não ser tão fã assim, sempre organizo a festinha de aniversário do nosso Fredinho. Você vai me ensinando a amá-lo… dia a dia. A gente se diverte até no carnaval de rua da cidade do seu pai. E como é engraçado ver o seu Geraldo dizer: “Vocês dois não prestam mesmo! Parecem crianças! Onde já se viu beber pinga assim?”
A gente se diverte tanto que o povo sempre pergunta : “São amigos ou casados?” Olhamos um para o outro e respondemos em uníssono: As duas coisas (como quando a Chiquinha fazia com o Chaves).
No nosso mundo quase perfeito, sei que você dobra a barriga de riso quando vê as minhas péssimas imitações do Sílvio Santos e da Maria Bethânia. Você conhece a minha preferência por piadas bobas. E rimos como apaixonados. A gente se diverte, até quando tudo está muito chato.
Tiramos até “par ou ímpar” para saber se será vinho ou cerveja no drinque de sexta-feira. Você sempre ganha, mas quando ganho finjo que você ganha. E você sempre escolhe a opção para me agradar. Porque vejo em seus olhos que sua felicidade é a minha, e eu sinto em meu peito que minha felicidade estará sempre atrelada à sua. Como é prazeroso agradar seus desejos.
Ah! Não esqueça o que deixei escrito no bilhete de geladeira, mais cedo: “Vou te pedir em noivado hoje de novo, no meio do Karaokê! Aguenta a breguice, hein?”.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais
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24 de agosto, 2016

NÃO É SEU SEXO QUE ME TRAZ AS MELHORES MEMÓRIAS

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Não é seu sexo que me traz as melhores memórias. Longe disso. Mudaria minha vida para ter seu riso de volta. E hoje posso admitir: gozo de verdade era vê-la rir. Rir loucamente.
Aquele sem-freio no gargalhar me alucinava.
Nas gavetas de minha recordação, estávamos na sala (e claro! não víamos nem a metade do filme), quando vinha uma cena engraçada. Você ria, eu me desnudava.
Era você disparar um riso solto que me subia a íntegra vontade do entrelaço de nossos dentes. Não tive o tempo certo para dizer, mas seu riso é a mais sensual forma de “gozação” que já vi (se é que agora me entende).
Talvez agora saiba por que eu pedia áudios com sua risada. Repetia aquele som como a música que tocava meu coração. No carro, no banho, na cama, no café, onde eu estivesse, era como som de piano bar o que sua alegre forma me trazia.
Houve um dia, em que estava viajando, e a bateria de meu telefone descarregou na rua. Havia também esquecido o carregador do maldito aparelho. Esmurrei o ar. Xinguei. Não me vinha outra sensação diferente da raiva. Tentei em vão, por algumas vezes, imitar cada “rá-rá-rá” seu.
Irracionalmente, parei o primeiro cidadão que vi, contei da minha emergência, do meu estado de apreensão e liguei a cobrar. Você atendeu:
– Alô! Que número é este? – você indagou.
– É o seguinte, amor: ou você ri agora ou eu me enlouqueço de saudade!
– Gente, que loucura é essa?
– Ria, vai! Daquelas boas e longas gargalhadas suas, vai! Vai!
Fechei os olhos, abaixei a cabeça, tapei o outro ouvido, à espera de chegar novamente ao paraíso.
– Então, é o seguinte: quando você chegar precisamos conversar. Paulo me ligou e tivemos um reencontro. Estou péssima e não tenho motivos para sorrir. Estou confusa. Me entende também, vai. Assim que chegar, me avise.
As lágrimas lentas denunciavam a tragédia. Pálido, cúmplice da minha dor, o dono do telefone disse com cuidado:
– Morreu alguém, senhor?
– Sim. Neste exato momento! Acabo de perder.
O solícito senhor – com a mão sobre o peito – disse a mim:
– Meus sentimentos!

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais
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23 de agosto, 2016

O HOMEM QUE IA AO PUTEIRO

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Haroldo é um daqueles caras que cresceram na vida. De origem humilde, vendia doces nos ônibus de São Paulo. Em um dia típico, tirou a sorte grande e ouviu uma frase de um senhor: “Estude Marketing e terá muito sucesso na vida!”.
Vendendo doces, dormindo em caixas eletrônicos, fazendo bicos e com muita lábia, Haroldo cresceu na vida. Já quase no período final de seu curso, foi convidado para gerenciar uma banca de eletro-eletrônicos, na Santa Ifigênia. Aprendeu rápido o negócio. De gerente para sócio. De sócio a dono de mais de 200 bancas.
Sorte no jogo… pois é!
Haroldo sempre se revoltava muito com o fato de, praticamente somente após ter sucesso financeiro, começar a receber cantadas, elogios, convites para baladas e viagens luxuosas. Talvez esse ira (de certa forma verdadeira) tenha enrijecido o coração desse ser.
Por simplesmente pouco conhecer o mundo de Louis Vitton e de Dom Pérignon, mostrou-se sempre desajeitado com as relações de interesse. Tímido, desengonçado, o valente empresário passou a frequentar seu lugar favorito de “relaxamento”: o puteiro.
Dizia sempre: “Aqui não me perguntam o que faço, o que sou.”
Ciente das leis monetárias bem definidas dali, Haroldo criava afinidades cada vez maiores pelo ambiente. Pronto. Ele ia, bebia, dizia não, isolava-se, convidava quem quisesse, pedia para trocar a música, sentia-se livre. Sem regras. Sem hipocrisia.
Com o passar dos dias, foi se abrindo a uma verdadeira terapeuta da noite. Um dia, chegou a oferecer generosa grana para que ela ficasse mais com ele. Ela negou. Disse que gostava da companhia dele e que, naquele momento, já havia feito o dinheiro suficiente. Ela simplesmente gostava do “desconhecido” Haroldo. Trocaram telefone.
Em um belo dia, ao voltar ao local, ficou sabendo da internação hospitalar de sua companheira da alma livre. Escolheu seu melhor terno. Foi ao hospital, acompanhado de belas rosas, e de intensidade amorosa.
Ao chegar lá, recebeu a notícia da morte de sua melhor companhia da vida. Chorou muito. Os enfermeiros acharam ainda um bilhete, escrito a batom: “Haroldo, companhia minha!”

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais
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