18 de janeiro, 2017

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Não pare
Não se submeta a sufocos bobos
Não entenderão seu passo largo
Seu sossego
Seu riso frouxo

Apenas não pare
Talvez não haja outra mão neste percurso
Vá assim mesmo descalço
O banho será em outros rios
O cochilo em vilas nascentes
A comida em novos campos


Não pare
Não dará tempo de agradecer a todos
Tudo vem tão veloz
Vai mais rápido ainda
Acredite
Porque sem fé nada tem motivo

Fé no caminho
Fé na escolha
Fé no amor
Fé na vida
Fé na palavra

Uma vez
eu fui
voltei renascido
Por isso te peço
do fundo do peito:
Vá!

DIOGO ARRAIS – youtube.com/mesmapoesia

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12 de janeiro, 2017

É Tudo Uma Questão de Luz

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A iluminação de um ambiente, para o ser humano, é essencial como sangue. A claridade da luz branca, por exemplo, é feita para uma reunião no trabalho, para estudos profundos, para a limpeza de um ambiente, para um banho rotineiro.
Acho até que os fast-foods iriam à falência sem aquela luz superlativa, iluminando o quarteirão como se fosse meio-dia em Dubai.
Já a penumbra, também conhecida como meia-luz, é ideal para momentos mais tórridos, em que a curiosidade aguça uma parte de cada vez, porque, ali, mais importante que ver é sentir.
Não há teatro com a claridade intensa. Sem o profissional da luz, o espetáculo perderia a graça, saberíamos de segredos e pormenores inconvenientes. O abaixar das luzes, lento, é o convite mais escancarado ao aplauso.
No encontro social, se alguém o espera com a luz branca forte, saiba: é preciso resolver as coisas em cinco minutos. Se houver a meia-luz, você é benquisto e irá embora tão cedo. Existe gente tão atenciosa que espalha velas sobre as mesas, num como-quem-diz “Eu amo vocês!”.
Os automóveis mais luxuosos sempre deram a oportunidade de escolha da tonalidade da luz. Ter um farol led ligado durante o dia é coisa de rico.
E os iPhones com a estilosa luz noturna a fim de “acalmar a visão de quem é fã da maçãzinha”, hein?
Existe também o momento praiano, em que a falta da luz solar é a anunciação da viagem incompleta. Na praia, queremos torrar a pele, pois essa será a grande prova futura (até a si mesmo) de que as férias foram surreais. Quanto mais melanina, melhor foi o tempo de sossego.
Algumas pessoas ficaram tão apegadas aos efeitos da luz solar que se tornaram clientes de máquinas de bronzeamento artificial. Ter a cor do verão em pleno inverno, com marquinhas na pele, é uma espécie de dádiva dada pela natureza da indústria cosmética. É motivo para legenda em mídias sociais, tal como: “A estação eu escolho – sou sempre verão!”.
Ah! E não me venha com essa de que todo o sol no corpo é por necessidade de vitamina D. É porque mostrar a luz mais nobre é registrar o seu poderio social.
Pergunte depois, por gentileza, a um fotógrafo o que ele faz com a cabeça dos seres humanos por causa de luz.

DIOGO ARRAIS – youtube.com/mesmapoesia

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11 de janeiro, 2017

O Prazer Miserável do Segredo

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Ô prazer miserável que é verbalizar um segredo! Contar com detalhes, luzes, espaço, roupas, cores, nomes, hora e personagens. Nem a brisa de uma digna vodca passa perto da barriga gélida com a minuciosa descrição de algo secreto.
Ligamos para um amigo (e jamais confunda com um colega!). Deve ser aquele amigo-irmão, do mais alto degrau da consideração. Ao primeiro segundo da ligação telefônica, o aveludado “Você não sabe o que aconteceu!”.
Ninguém resiste a essa frase – tanto quem ouve quanto quem conta! Tenho que exclamar aqui, porque me lembro da vez que… deixa para lá. É muito segredo para expor em um texto.
Após o narrar inicial, aparecem as longas interjeições “Meu Deus!, “Nossa!, “Hmmmmmm!”, “Uau!”, “Eitaaaaa!” e tantas outras. Algumas interrogações, como “Você ficou maluco?”, “E ninguém viu?”. Essas mensagens emotivas dão ainda mais fervor à história, que tem risos mesclados a chiados.
O segredo é o melhor amigo para um amigo. Bate saudade e, logo após a adrenalina de todos os detalhes da narrativa, é sempre convidativo um encontro, uma viagem, um drinque no pub da Augusta, um jogo no Pacaembu, ou uma visita para que outras informações ou fotos provoquem mais veracidade ao fato contado.
História secreta tem garantia de audiência, de brilho nos olhos e ouvidos. Dá vida a gestos teatrais, e faz com que o locutor esteja em um palco. Sinceramente, antes de contar o que é secreto, deveríamos enviar uma correspondência à mão, com uma exótica caligrafia, endereçada à residência de nosso escolhido ouvinte.
A ansiedade gerada é quase impensável: “Prezado Motta, é com muita alegria que, dia 15, no Café Central, às 17, espero-o para contar-lhe um segredo ímpar, o qual jamais pode ser revelado por telefone. Agradeço imensamente a sua presença.”
Caso a amizade esteja perdendo forças, ou passando por um momento de turbulência, experimente apresentar uma história ainda não revelada, um sigilo; a narrativa surpreendente reavivará a confiança, a afinidade, a doação, a espontaneidade, o minucioso do que jamais seria dito se não houvesse o amigo.

DIOGO ARRAIS – youtube.com/mesmapoesia

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