05 de dezembro, 2016

Valentia

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Valentia mesmo
é degustar um verso por inteiro
é deitar-se apaziguado
é viver sem estar enclausurado
é conjugar sem medo do errado
é beijar seu cheiro

Valentia mesmo
é aplaudir o afinado
é enfrentar o desconcertante
do mundo errante (posto que apaixonante)
em busca de significado

Valentia mesmo
é se entregar na íntegra
é querer ser água límpida
para tê-la feliz ao meu lado

Valentia mesmo
é correr pelos campos
é entender duas formigas
que são como eternas amigas
em labor sincronizado

É ser latido
É ser mugido
É ser cacarejo
É ser grunhido
Jamais calado

Valentia
é estado de sinfonia
uma espécie de magia
quando se cheira à alegria
havendo o simples maravilhado

DIOGO ARRAIS
www.youtube.com/mesmapoesia

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01 de dezembro, 2016

Decoração

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Quando deixamos o amor entrar, a casa se decora de felicidade. Não são os móveis “vintage”, a cama king-size, nem o sofá de último modelo que a completarão. Sem o sentimento maior, a casa estará sempre vazia.
Quem deixa o amor entrar tem a ternura como morador; a toda hora, é momento de um bom brinde à maior emoção: amar e amar. Tudo que é decoração exige amor.
Porque o amor não avisa, não toca campainha ou interfone, ele simplesmente chega. É preciso, pois, estar atento ao menor movimento para que a porta esteja aberta, os braços e peitos também. As lágrimas? Elas surgirão tanto repentinamente quanto.
Com a casa decorada de tamanha felicidade, nossos amigos sentirão algo de muito poético em cada canto. Casa amorosa canta Djavan em lá maior, com cheiro e afinações de energia pura. As paredes riem até de madrugada, irradiam novos céus e assoviam para o pôr do sol.
Amando, corremos pelo corredor agora enfeitado. Agradecemos à planta na varanda, vestindo a velha camiseta de algodão. Entrelaçamos pernas sobre o sofá, assistindo a clipes musicais românticos, beijando lentamente – tendo todo o tempo do mundo ao nosso lado. Tem sempre o tempo amigo quem deixa a porta aberta.
Lar amoroso cuida de cães, gatos, quadros, fotografias, livros, discos e vinhos. É um romance vivo, pronto a inspirar escritores, já que a palavra somente reproduz cotidiano e o que sentimos.
Quando a casa se decora de amor, a arquitetura reverencia os pilares da compaixão, o abstrato é enfim concreto. Os ventos chegam ainda mais refrescantes; a vizinhança faz festa e dá a melhor das boas-vindas; as ruas e calçadas tomam champanhe.
Uma casa só é casa quando se enche de amor.

DIOGO ARRAIS
www.youtube.com/mesmapoesia

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30 de novembro, 2016

ZOMBARIA

Nunca zombe de uma árvore que balança
apesar dos finos galhos e poucas folhas

Não deboche do Ipê abraçado ao vento
porque a natureza sabe ser muito mais cruel
com quem sátiras impensadas faz

Não interrompa a leitura do broto
que entende as rimas da geração

Árvores redigem mensagens
são sempre vorazes por vida
sombreiam quaisquer animais esgotados do dia

Um homem no ápice do amor
consegue arborizar
é apto ao fruto
não teme secar
fica em pé
é mais forte que o incêndio
vê na luz seu também alimento de paz

O arborizador aceita as estações
mais que isso
precisa de cada uma delas

Há, pois, beleza maior que
entender inverno após verão?

Quando olho uma árvore
é ali que minha alma quer estar

Das cinzas de um bom ser
nascerão folhas de histórias atraentes
a sabiás, a canários e a curiós
que ali pousem
ninhos façam
acordem
adormeçam
arborizarem novos horizontes

DIOGO ARRAIS
www.youtube.com/mesmapoesia

arvore

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