16 de novembro, 2017

VAI UMA SUPRESA AÍ?

face-2936245_960_720

Em um dia comum, no mesmo café da esquina, tenho os olhos vendados. Preciso tatear cada parte da pele alheia; sinto o ofegar, pergunto quem é. Nada. De repente, um “adivinha!”. A rápida virada para o longo abraço; o beijo igualmente doce entre a nuca e o pescoço. Uma pergunta “O que faz aqui?” e o riso solto.
Saio dali renovado, renascido. Reflito: “Qual é mesmo o sentido da vida?” Olho para os carros insanos a buzinar, para as pessoas no ponto de ônibus e digo em voz alta: “O sentido são os episódios surpreendentes. A surpresa é uma maré sem cobranças, sem expectativas, é o agitar de nossas águas mais puras.”
Após tal episódio surpreendente, sento à mesa de trabalho e é inevitável a percepção dos colegas: “Uau! Que café é este que você tomou?” e um “Está diferente!”.
É óbvio! Nós, seres humanos, sabemos quando alguém ama. É algo nato. Nem precisa de tanto tempo, pois vemos o olhar mais calmo, a paciência larga, uma fé inabalável no mundo, a presteza rápida. É como quando olhamos um gramado pós-chuva; é como quando ouvimos valsa; é como quando chegamos à frente do mar; é canto de pássaro; é música favorita no rádio; é como quando abrimos a cortina e deparamo-nos com o céu azulzinho da silva.
Quem ama contagia tanto quanto gargalhada de recém-nascido. Desejamos é que seja em alto volume, por longos segundos.
Por isso, nenhuma relação rotineira (mesmo aparentemente chata) não se ajoelhará diante da surpresa bem-intencionada, diante da orquídea escolhida a dedo, diante de um convite para um jantar à luz de velas, ao som de jazz. Relacionamento tem sede de novidade. Tem sede de novas estradas, novos desafios, novas posturas, novas viagens, novos pedidos românticos.
Tudo que nos surpreende hidrata nosso miocárdio e passamos a brotar – involuntariamente – o nosso melhor. Não só no amor, mas também na amizade, já quem ama é amigo, quem é amigo ama e vice-versa. É na convivência. Está tudo certo se quisermos surpreender alguém com boas intenções.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

Compartilhe este texto
0 Comentários
13 de outubro, 2017

COMPARTILHAR ANTES DE TUDO

friendship-2156172_960_720

O som baixinho na sala, o piso refletindo nosso longo abraço e a nossa companhia vestida de esperança. Ao seu lado, eu creio, eu confio, somos fortes, somos fé e esperança.
Aprendemos dia a dia o dom dos que compartilham: quietude na alma, horizonte ensolarado no peito, ventos azuis nas palavras, sons amigos nos tímpanos.
Dividir é uma das maiores artes na humanidade. Doar intensamente o elogio, corresponder a uma mensagem, não deixar à espera mesmo em dias de agenda lotada, dizer quão bonita é a habilidade do outro, ouvir e não julgar, e apenas compreender.
Há os momentos simples: a risada curiosa diante da tela do televisor, o slogan da propaganda decorada desde quando nos conhecemos, as poses românticas nas fotografias, o cozinhar de nossos pratos favoritos (como aquele risoto de camarão que há pouco fizemos).
Há os momentos mais complexos: o de você odiar que a tampa do vaso fique aberta, dos livros espalhados sobre a mesa, das meias atiradas pela casa, das lerdezas enquanto conversa seriamente, do jeito às vezes ríspido pela manhã.
Apesar disso, insistimos. Somos persistentes. Queremos esta vida a dois, neste cotidiano de diferenças e semelhanças que se entrelaçam. Queremos representar a união; nosso tempo está à disposição para a nossa maior conquista, porque chegar à plenitude dos entendem o sentido da vida é amar de fato.
A união faz-nos agradecer, faz-nos entender a nossa pequenez, faz-nos viver a brevidade dos calendários, faz os dias parecerem mais longos. Unidos, vemos milagres transformar as manhãs, passamos a ser mais atentos, deixamos certos medos bobos, respiramos mais felizes, conjugamos fraternais.
Compartilhar, antes de tudo, é ser caridoso consigo mesmo.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

Compartilhe este texto
4 Comentários
10 de outubro, 2017

É sobre te amar tanto

trees-2690128_960_720

É sobre te amar tanto. É sobre tua calmaria, teu jeito simples e desordenado de rir. É sobre teu mar, quase nunca bravio, azul, límpido, a aquecer meu peito. É sobre teu jeito de fazer-me acreditar, uma vez que contigo não há o impossível.
É sobre a atenção que tu me dás. Sentir que é recíproco tem o poder do renascimento, da ressignificação, é o valor maior na convivência. Atender e ser atendido. Ler e ser lido. Amar e ser amado. Ouvir e ser ouvido. Perdoar e ser perdoado.
É também sobre minha devoção, sobre o meu jeito de evoluir – dia a dia – para estar apto a compreender tanto carinho que jorra de ti. Daí, confesso a ti, conto pausadamente todos os sonhos bons, os pesadelos, medos e desafios. E tu estás simplesmente e sempre ali, abraçando tantas perspectivas, todos os nossos ideais.
Não fiques tímida quando eu disser mais uma vez que és a minha artista, minha compositora preferida, minha música, minha magia, minha liberdade, meu deleite, meu voar. Tuas interpretações estão além de aplausos, são emoções diárias, são como os assovios mais reluzentes vindos do horizonte.
Tu és campo, solidez, segurança, equilíbrio, constância, rochedo, alicerce, sustento. És forte, és dia, és vida, és o bem em rima no vaivém da paz.
Quis assim o bom destino – que tu me ensinasses as mais preciosas leituras de caráter e vida. O jeito único de dormir serena, a palavra baixa em cada tímpano, a gentileza no café, a meditação no jantar, a fraternidade em família, a educação constante. Tu és a minha mais concreta noção do admirar.
É sobre ti, teus acordes, tuas sonoridades poéticas, tuas águas, tua emoção ao ver o sol atrás do ipê florido. É somente (e tão-somente!) sobre te amar tanto.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

Compartilhe este texto
0 Comentários
12345...102030...