20 de agosto, 2015

Estou solteiro. E daí?

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Tenho 33 anos e estou solteiro. E daí? E daí que não é tão simples assim. Creio na ideia de que nascemos para compartilhar, mas a solteirice sincera tem lá seus pontos educativos. De verdade, admiro o casal sincronizado, que ri junto, que conta piadas, que beija como se não houvesse tempo, que dorme sem se preocupar com olheiras, que lê para mútuo crescimento, que se admira.
Ainda acho relacionamento gaiola e um pássaro numa gaiola não é um pássaro. É um suvenir. Não suporto, pego o meu alpiste e bato asa.
Estar solteiro e (ainda mais!) morar sozinho é autodescoberta, grande amadurecimento. Tenho a liberdade de rasgar a música no último volume, dançar pelado pelo apartamento, recitar um poema dezenas de vezes, deixar um disco sobre a mesa e o disco lá permanecer, ir ao supermercado quando quiser. Ficar longos minutos à janela vendo o vento balançar o coqueiro.
Estando solteiro, os brindes à solidão são constantes, falo sozinho, gargalho sozinho, revejo cenas de Almodóvar, reorganizo retratos, desligo telefones, estudo sábados, descanso domingos, execro segundas.
Sei também que estar só, neste mundo, é uma questão de opção a qualquer um. Não é fácil, nem preciso (no sentido da precisão), mas o coração não pode ser maltratado apenas por preencher um quesito social.É latejante a filosofia: viverei só ou só viverei?
O importante, mesmo sozinho, é viver. Viver. Sempre sonhar. Sonhar com alguém imperfeito que também aceite suas manias, que aceite o volume daquela brega canção, que ria com seus loucos amigos, que brinde sem querer ser tão “fitness”, que seja no sentido do verbo.
Não me importo tanto em estar só, e não posso ser hipócrita ao dizer que não admiro casais. Uau! Sou aficionado por casais afinados, conhecedores da coreografia, educados, gentis, amigos, sinceros, imperfeitos, sacanas em desejo, engraçados, beijoqueiros.
Se o acasalamento ocorrerá ou não a mim, não escondo a mania de aprender – sentimentalmente – com a solidão.
Paciência, verdade e consciência de meus egoísmos.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais e @mesmapoesia

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