26 de outubro, 2015

O tal do Querer bem

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23 de outubro, 2015

Vovô, Vovó – Sílabas de Amor

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Há pouco, vi que hoje – 26 de julho – é o Dia dos Avós. Não os tenho mais fisicamente, e nem posso ser egoísta a ponto de querê-los eternamente. Pedro, Laurinda, Maria Nely, João. Eram como parágrafos de um texto, encaixavam-se, deram sequência e deixaram lição.
Pedro era barbeiro, calmo ao extremo, com uma narrativa límpida, lenta e cheia de detalhes. Se tivesse investido, seria um cronista dos bons. Adorava aquele jeito sempre elegante, bossa-nova de cruzar as pernas. Optava pelos tons claros de calças e camisas e tinha sempre o relógio impecável. Colocava-me no colo e eu ria, e entendia, e pedia mais. Dava-me balinhas Rintintim e sua gargalhada percorria cada esquina de meus sentimentos. Ao fim da vida, presenteou-me com sua coleção de cédulas antigas.
Com a vovó Laurinda, convivi até o dia em que seu coração parou, no fatídico 17 de setembro de 90. Jeito de menina, com tons de Cora Coralina, fazia doces, pizzas quadradas, reclamava da falta de visitas e inventava verbos. Diz meu pai que ela amava o verbo “arreunir”. Dona de uma casa simples, costurava vestidos. Hipnotizava-me com aquele pedal da máquina de costura. Deu-me diversos carretéis para que tecesse minhas tardes divertidas no bairro Cruzeiro do Sul.
Maria Nely, vovó Nely, não pode ter outro título diferente de musa. Princesa. A mulher mais elegante na retórica que já conheci. Entendia de tudo, tinha uma voz mais grave quando emitia saberes. Lia contos, comédias, biografia e exaltava o romance A Moreninha. De cor e salteado, sabia quase mil poemas, sonetos e trechos da Literatura Brasileira. Não me considerava neto apenas, um amigo. Com café sempre impecável, dizia que era um absurdo o meu ritmo de trabalho e que eu deveria descansar. Odiava palavrões, mas ria muito de piadas inteligentes. Tinha nomes e sobrenomes no coração de quem lhe fizesse bem ou mal. Nely soltou-se de uma parte muito importante de Deus quando caiu à Terra e perfumava as missas que frequentava.
João, vovô Joca, é o metodismo em mim. Genioso e genial, construiu seu próprio lar, construiu pedaços importantes da Capital Federal e – marceneiro engajado – lutou contra os desvios de verba pública. Sua maneira de me cumprimentar era muito diferente, fazia uma concha com as mãos e apalpava meu queixo. Passava ininterruptamente seus dedos grossos sobre a minha cabeleira lisa. Ele amava cabelos lisos. Ensinou-me que o bom homem deve ter Deus e saber fazer uma boa goiabada. Em seu rádio antigo, ouvia diariamente a Voz do Brasil e, por conseguinte, passou a amar a locução. Dele, quiçá, levo o amor ao rádio.
Nenhum de meus avós viu-me crescer, mudar para São Paulo e publicar livros. Minto. Estão sempre aqui comigo e garanto que eles deram uma passadinha aqui, quando a cafeteira apitava, para pegar um presente que deixei para eles sobre a mesa de jantar: meu coração.

DIOGO ARRAIS – @mesmapoesia

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22 de outubro, 2015

Nunca

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