18 de novembro, 2015

Química

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16 de novembro, 2015

NÓS

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10 de novembro, 2015

MEU VELHO QUARTO

De vez em quando, pego-me aqui pensando naquele travesseiro, no cheiro de meu antigo quarto, no Tom & Jerry na tevê, na mãe trazendo pão de queijo. Como tenho saudade de conversar com meu antigo quarto, de filosofar com aquelas paredes.
No pensamento, ainda me pego abrindo o guarda-roupa, vendo-me diante do espelho na porta do meio. Fazia caretas, ria, ia de um lado a outro, tentava assustar a própria imagem e tropeçava-me direto à cama.
Fazia da sandália microfone, imitava o Roberto, via o público, dizia das tantas emoções, da risadinha e chamava o amigo Eraaaasmo Carlos. Ao fundo, o constante pedido de minha mãe para que eu não gritasse ou o velho “Vai fazer a tarefa de casa, menino!”.
Pulava de novo, com a ajuda do colchão, ligava a tevê e chorava a alma com a triunfal entrada de Patropi, na Escolinha do Professor Raimundo. “Sem crise! Sem crise!” era o que repetia minha felicidade.
Ah! Aquele quarto, com os livros doados pelo tio João, com todos aqueles contos de Allan Poe, de Machado, de Braga, de Fonseca. Ajoelhava-me diante dos olhares sinistros de Clarice Lispector, via estrelas às cinco, pensava estar em Júpiter – tomando o melhor café em casa extraterrena.
Com mais um salto, colocava a camisa nove do Goiás, o calção Adidas, alucinava-me em narrações futebolísticas. Vai, ajeita a bola, chuta! Que golaço! Minhas cordas vocais sentiam-se como o Edson Rodrigues (o maior narrador esportivo deste país). Eu fazia questão de decorar todas as vinhetas do rádio, organizava estações, fazia voz dos ouvintes, de locutor, distribuía prêmios.
Tudo naquele quarto, que hoje só abriga roupas antigas, álbuns antigos de figurinhas do Campeonato Brasileiro e da Fórmula 1 e um rádio. Vontade de ali chegar e rolar naquele chão, para que o concreto sinta-se abraçado.

DIOGO ARRAIS – @mesmapoesia

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