03 de novembro, 2015

Errei, Buscando Acertar

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Tenho certeza de que, por diversas vezes, fui um fracassado na arte de amar. Nem por isso deixei de correr atrás, pois sei que o verdadeiro sentido da vida está naquilo que os poetas exaltam: o amor.
Querendo amar, aprendi notas no violão, redigi poemas, cartas, declarações. Ouvi músicas que me fizeram chorar. Pedalei por quilômetros, querendo chegar ao horizonte da relação plena. É difícil, mas não se pode desistir.
Querendo amar, desenhei joias, paisagens, em tom de cores que talvez nem existam. Pensei detalhadamente em cada presente, nos dias em que comemorávamos datas. Escolhi a dedo os espetáculos aos quais assistíamos. Livros? Procurava declamar as sílabas que cheiravam ao nosso amor; lembro-me de passar horas escolhendo – a você – livros assim. Só os casais felizes sabem, mas sílabas poéticas podem ter aromas incríveis.
Querendo amar, tinha o hábito de pegar chuva – cada gota era um pedaço de nossos sentimentos e desejos que me hidratavam. Achava-me em um cenário de filme francês, frente ao rio Sena, recebendo seu abraço sólido. Em seu riso, minha companheira, via sinceridade em ser feliz.
Querendo amar, dirigia com o vidro aberto e dialogava com o vento. Às vezes, gritava, esperando ouvi-la. Sem a mínima pressa, via o asfalto como a metáfora de nossas trilhas. Escolhia um bom acostamento e admirava as paisagens nossas. Com você, era difícil distinguir se estava viajando, sonhando ou vivendo mesmo tudo aquilo.
Querendo amar, errei, buscando acertar.

DIOGO ARRAIS – @mesmapoesia

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