10 de dezembro, 2015

AERODOR

Definitivamente, aeroportos são mais dolorosos que rodoviárias. Em aeroportos, é tudo mais rápido; no milagre da aviação, há nem tempo para um café; o piloto não espera ninguém; uma sala separa a pessoa que fica da pessoa que vai.
Sozinho, existe um olho fixo numa tela, que clama pela rapidez: “última chamada”.
Na sala de embarque, a lágrima da dor disfarça-se atrás dos óculos escuros; parceira última é a mochila nas costas.
Dentro da aeronave, nem a minúscula janela tem compreensão; a poltrona, então, é mais ríspida que qualquer “vamos logo embora!”. O cinto? Homônimo do péssimo “sinto muito!”
Portas em automático (quando na verdade mãos fecham-nas) e lá se vai mais um ser que preferiria, ao menos naquele instante, a lentidão das rodoviárias, a janela larga do ônibus, a visão mais ampla de um adeus que se lacrimeja nas mãos a balançar e a sumir lentamente.
Rodoviárias compreendem mais e, dependendo da dor, um motorista sensível pode frear e aceitar o clamor pelo último abraço. No mínimo, há uma buzina (silvo breve para longo amor).
No rastro velocíssimo do jato, restam nuvens para me consolar.

Diogo Arrais
@mesmapoesia

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10 de dezembro, 2015

Amor Calígrafo

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10 de dezembro, 2015

Ah! Esse seu Sorriso

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