10 de dezembro, 2015

Ninguém é de Ninguém

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10 de dezembro, 2015

Porque

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07 de dezembro, 2015

COMPANHIA COM PODER DE SOLIDÃO

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Eram muitos comuns – antes de ti – as crises de solidão, mesmo estando ao lado de alguém. Corpo presente nem sempre significa alma preenchida.

QUANDO NÃO CONHECIA O VERDADEIRO CONCEITO DE AMAR:

Não me faziam sentido os chamamentos dirigidos a mim, eram apelidos estranhos, monossílabos azedos, uma espécie de “meu bem” forçado.
O beijo tinha agressividade para o desejo momentâneo, as bocas desenhavam trilhas curtas. Os olhos não se fechavam, não enxergavam imagens da paisagem a dois.
Não conseguia me desviar do perfeccionismo que quer o fim, que quer a distância. Praticamente tudo vinha com um certo defeito. Em palavras simples: o defeito era justamente a afinidade que não existia, a admiração que era singela demais, a companhia (mesmo muito honesta) que convidava minhas solidões.
(In)felizmente algumas pessoas precisam existir para mostrar que outras existem muito mais. Existem pessoas que nos apontam sobre como é ou não é, pessoas que nos renascem.

QUANDO CONHECI O VERDADEIRO CONCEITO DE AMAR:

A ligação telefônica já tinha um “Alô!” com sorriso, a voz cantava sentimental, sentia-me John Mayer ao violão, dias e momentos passaram a ser arte. Qualquer chamamento a mim era mais outro sorriso bobo, como se aquele apelido valesse mais que meu próprio nome.
O beijo guiava-me a cores, cheiros, a caminhos os quais gostava de conhecer. Era o beijo que enganava as noções cronológicas, todo o tempo era pouco. Olhos, línguas, mãos em uníssono: ópera, verso cantado, discurso único.
Igualmente curiosos eram os defeitos alheios: aquele jeito largado com as horas pontuava-me, a risada bizarra era lindíssima, a letra ilegível redigia nossos dias, o falatório era palestra.
Com o verdadeiro conceito de amar, havia afinidade e admiração – a ponto de termos visto o amanhecer, em frente a taças embebedadas de nossas comemorações. Comemoração da vida, comemoração do fim do filme, comemoração do nada, comemoração por estarmos juntos, comemoração por entender que nem todo o mundo nesta vida é para todo mundo.
Por mais que ninguém seja de ninguém, alguém só conhecerá o que é amor quando encontrar o certo alguém. Isso é difícil, raro e possível.
Só é, de fato, amor, porque – estando contigo – jamais me senti só.

DIOGO ARRAIS – @mesmapoesia

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