05 de dezembro, 2015

MENTIRA SINCERA?

A verdade absoluta ou a mentirinha diplomática? Difícil opção, por mais que as sagradas leis que advêm da alma denotem a verdade como lema.
​Em uma segunda-feira cinzenta, por exemplo, posso chegar ao trabalho e soltar um “Tudo ótimo!” sem pensar na força do vocábulo e, talvez sinceramente refletindo, soltasse um “Não parei para pensar se estou bem. É muito cedo! Não penso muito pela manhã”.
Já até imagino o que sentiria o receptor da frase se eu assim dissesse. Pensamentos ou respostas do tipo: “Sujeito louco esse!”, “Você está mal?”, “Acho que você está deprimido!”, “Cara mal-educado! Só perguntei para saber se está tudo bem!”
Em outro caso, ao sentir o mau hálito de alguém, poderia (na condição de máximo sincero) enunciar: “Estou sentindo mau hálito no ambiente.”. Pronto! Arruinaria tudo! Por isso, tenho lá minhas dúvidas com a absoluta verdade.
Por outro lado, a mentirinha diplomática é como o sorriso do síndico, capaz de fazer com que os outros digam: “Esse sujeito tem carisma!” ou “Nossa! Você é uma pessoa que está sempre bem, sorriso no rosto sempre! Parabéns!”.
Como outro prático exemplo, quando visse algo esdrúxulo, soltasse: “Que camisa bonita! Diferente! Gostei!”
No entanto, o “xis” da questão é que sou sempre traído por minhas feições e até me recordo das inúmeras vezes em que fui chamado de cínico. “Rum! Seu cínico!”. Por que cínico se eu disse o que ela esperava? Porque a palavra é uma tentativa diplomática, mas as feições têm olhares sinceros.
​Daí, fico tentando umas mentirinhas sinceras, mas fui aconselhado – por dogmas e pessoas – a seguir a verdade em quaisquer casos. Fazer política é arte, mas por delação premiada perdi convites, amigos e amores.
​Este texto, por exemplo, não sei é cínico. Perdão peço, mas fui sincero! ​
​DIOGO ARRAIS @mesmapoesia

Compartilhe este texto
0 Comentários