12 de janeiro, 2016

Paola e o Extraordinário

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Paola sempre teve grande apreço pelo extraordinário. Recitava sempre em voz alta versos de Allan Poe; filosofava nas melodias de Hendrix; ajoelhava-se diante de Sarah Vaughan.
Como ela sempre dizia, não buscava apenas um amor: buscava olhos com asas, peito lacrimejante, mão com cordas vocais. Não se satisfazia com o mundo considerado como normal. Sua afeição era o extraordinário.
Chamar-lhe para briga era dizer Paula.
– É Paola, com o O fechado, em circunferência, num girar sem-fim, por favor!
Abrir seu guarda-roupa era como abrir um livro; cada peça, uma página; cada detalhe, um parágrafo. Seus algodões, sílabas que teciam a alma encantadora de menina, mulher, sedutora, escultura.
A palavra de Paola fora registrada em diversos muros do bairro: “Para ser comum basta não se emocionar com o Surreal”, “Quanto mais velha fico, mais amo árvores que abraçam formigas”.
Às sextas-feiras, tinha o hábito de ficar horas desenhando na sacada de sua casa. Usava vestidos que harmonizam com a paisagem. Era doce, a ponto de desejar bons-dias às suas plantas e abraçar pores do sol.
Antes de se tornar estrela, deixou a seguinte mensagem, em seu testamento:
A vida sem fantasia é nudez cretina.

DIOGO ARRAIS – @mesmapoesia

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12 de janeiro, 2016

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