02 de fevereiro, 2016

PRIMAVERA

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Quando se conscientiza do seu estado flor
Lá vem ela desabotoar
Insano poder
Em tantos quereres
Tem ela a fragrância-jardim
Abraça o solo seco
Acaricia horizontes
Enobrece futuros
Rasga infelizes pretéritos
Faz-me sentir fome de pétalas
Sede de lágrimas

Verdade é como fico trêmulo
Perfumado, e embevecido
Diante de geométrica paisagem

Lá vem ela flor
Lição silenciosa
Sombra em chão afônico
Carícia muita e bastante
Natureza nítida
Vívida
De uma primavera sem-fim

Flor
Implorar ao vocábulo demonstra como quero beber de suas raízes?

DIOGO ARRAIS – @mesmapoesia

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01 de fevereiro, 2016

Bailarina

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Sua coreografia era sinfonia.
Saltava, bailava, emocionava o público, que observava aquela peculiar forma de viver.
Inebriante! – diziam uns.
Bravo! – gritavam outros.
Ia de um lado ao outro, não se importava muito com o plateia. Sabia que, se acariciasse o palco, o aplauso viria a beijá-la.
Quanto mais dançava aquela peça chamada Vida, mais gente aparecia no teatro.
Certo dia, curioso o espectador, perguntou:
– Que faz, menina, para dançar de maneira tão magnífica?
Após lento passo, lágrima suando pela perna, retirou as sapatilhas e ajoelhou-se:
– Vivo! Vivo com todo o ardor da esperança. Meu palco, de fato, é esta sagrada oportunidade chamada “novo dia”. Minha alma é como esta sapatilha, surrada pela ação constante de aprender, levantar, cair, rasgar, sustentar e ser.
Mesmo aplaudida ininterruptamente, pôde-se ainda ouvir seu grito:
– Vivam! Vivam! Vivam!

DIOGO ARRAIS – @mesmapoesia

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