11 de agosto, 2016

SEI NÃO, HEIN?

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Sorrir ao cumprimentar, entregar uma rosa, abrir a porta do carro, tratar com prioridade: gestos que serão valorizados? Raramente.
Em um mundo com acesso absurdo à informação, as pessoas passaram – explicitamente – a jogar nas relações de amor. Por isso, é importante que se pense em que tipo de gente você quer na sua vida.
Já vivi péssimas experiências tentando ser gentil, enviando mensagens sinceras com poesia personalizada, colocando um bom jazz ao lado de um bom vinho. Pessoas são diferentes, têm gostos diferentes, ouvem músicas diferentes, têm prioridades distintas. Existem os que valorizam Chet Baker, e outros que valorizam Zé Neto e Cristiano. A questão é respeitar e saber com quem se quer viver.
Confesso, com todas as letras, que tenho muita dificuldade em aceitar que o “desprezo” é a chave para o sucesso sentimental/sexual. É muito prazeroso saber que é o primeiro lugar na vida de alguém, que essa pessoa estará disposta a responder mensagens, a viver sempre momentos simples a dois.
No entanto, quem se declara de imediato está fadado a receber respostas ácidas, assustadoras.
Contradição: “Quero uma pessoa educada, sincera, romântica.” Na prática, uma pessoa educada, sincera e romântica pode ser vista como “um mané babão das estrelas”. Lamentável, mas verdade dos tempos de WhatsApp.
Que fazer, então? Tentar ter uma percepção mais rápida da situação. Não descrer na beleza da vida, muito menos nos valores; conhecer características da geração; ser consciente de que vivemos um machismo sacana (no qual um homem sensível é constante alvo de preconceitos, e uma mulher sincera é alvo de errôneas interpretações).
Jamais devemos desistir da gentileza, mas também devemos nos preparar para os eventuais sustos. Um Gabriel que convida uma Amanda para uma apresentação de balé será – certamente – o assunto da semana. Pode ser visto como raridade ou com um “sei não, hein?”.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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10 de agosto, 2016

PRECISO DESABAFAR

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A escrita é a forma que encontro para me expor. É a forma de me abrir ao mundo e dizer com todas as letras: eu já errei e, agora, sei por quê.
Sem nenhuma dúvida, meus fracassos sentimentais estiveram ligados à falta do desabafo. Não era a mentira propriamente dita, mas sim o “guardar pequenos incômodos”, típicos da convivência.
Eu esperava, de maneira errônea, que o passar dos dias fosse curando a ferida, como dizem muitas canções de amor.
Com o tempo, fui percebendo que a pessoa amada busca o desabafo (a mais alta sinceridade) a qualquer preço, a todo instante, mesmo que faça doer. Não custa muito, mas é um exercício. No meu caso, a idade foi me presenteando com o aprendizado.
O que ela mais quer é a sinceridade. Dores passam, esconderijos sangram. Esconderijos podem revelar monstros terríveis de nossas personalidades, desejos insanos e injustificáveis. Se você é um rapaz novo, leve um conselho deste imperfeito escritor: jamais deixe de afirmar o que o incomoda.
Além disso, agir com a mais intensa verdade é – talvez – terminar o relacionamento, mas ganhar o respeito alheio eterno.
Eu achava que desabafar necessariamente seria criar confusão. Não. A confusão só existe com a ofensa, e ofender é muito diferente de apontar o que causa estranhamento, incômodo.
Mais interessante ainda é – com o desabafo, vem a voz alheia – apontando uma outra visão sobre a situação. Penso que maturidade é dizer “Errei!”, “Perdão!” e, principalmente, é agir de outra forma. Ações são as boas-vindas a um possível perdão. No clichê pensamento poético, desculpa não rima sem a ação.
A única parte lamentável do erro é perder a convivência com quem, um dia, você amou. No entanto, prefiro acreditar na magia desta vida. Um constante “vai e vem”; uma roda-gigante.
Todos erram. Ninguém acerta sempre, mas é preciso saber o que o outro espera. Quem me dera ser consciente de todos os meus erros. Quem me dera!

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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08 de agosto, 2016

CRÍTICA AOS AMANTES DOS CÃES

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Durante um período da minha vida, não compreendia um cidadão que promovia festa a um cão; não compreendia o fato de um ser humano idolatrar seu “companheirinho” de estimação.
A ignorância era tão grande que já cheguei a zombar (mentalmente) dos que usavam frases: “Corre para a mamãe, Nina!”, “Dá a pata, Bob!”. Lamentável pecado a minha zombaria – mesmo que tenha sido longe das palavras.
Não satisfeito com o pensamento que me cercava, passei a observar os cães. Cheguei a algumas conclusões:
Um cão é sim um filho para um alguém; é sim um amigo a uma criança; é um ente benquisto nos jardins familiares. Um cão é um professor de Fidelidade.
Cães têm uma memória afetiva invejável, imitam seus pais e irmãos (que muita gente prefere chamar de “donos”) e, à visão de alguns estudiosos, cães absorvem a personalidade de quem carinhos lhes dá.
Cães são seres que latem amor, que choram clichês de saudade à porta das residências, que balançam rabo às coisas simples, que adormecem sonhando com um mundo mais amoroso, que reconhecem buzinas e aromas.
Cães adoram canções; alguns latem conforme o compasso musical; observam (com a cabecinha um pouco torta de atenção) um homem declamar um poema. Deitam sobre o tapete. Tomam sol com elegância. Guiam pedestres. Repelem violência. Sofrem com a dor na alma. Têm paciência. Fazem poses fotográficas. Entendem e acariciam.
Cães incansavelmente procuram agradar; buscam o brinquedo favorito; apontam para seu amigo e, sem qualquer palavra, emitem um “Vamos brincar, amigo!”. Eles se emocionam quando ouvem o famoso “Vamos passear?”.
Por que não procurar entender quem faz o impossível para devolver amor a seu amigo de estimação?
Não mais tenho dúvida de que essas criaturinhas vieram ao mundo para professar. Vieram como filhos do mandamento “Amar o próximo como a si mesmo.”; são poetas de pelos; são cancioneiros da felicidade; são defensores da simplicidade.
Aos que latem deixo o meu respeito. Tenho muito a aprender com vocês. Desculpem-me da pretérita ignorância.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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