29 de setembro, 2016

Não era para ser

senaoemagia

Se não é magia, não era para ser. Não adianta lutar e relutar. Ficamos desapontados, porque achávamos que ali começaria o álbum de fotografias mais incríveis de nossas vidas.
Gente que ama nunca vê o beijo apenas, já enxerga o amanhã. Planeja dias de sol na praia do Recreio, o show do John Mayer no Rock in Rio, o jantar romântico em São Paulo, as férias divertidas na Disney.
Gente que ama vê o outro como um poema, estende a mão para compreendê-lo. Ri lentamente como se convidasse a dançar a canção que toca em céus azuis.
Gente que ama não segue a lógica, porque se fascina com o irreparável no trânsito injusto das metrópoles. Gente que ama não finge.
Por isso, é preciso dar tempo ao peito, porque também não podemos priorizar o que não é mágico. Não podemos oferecer rosas a quem nem a mão estendeu.
Desiludir-se é uma parte muito importante do processo, é sinal que nosso íntimo desejo distingue o efêmero do inesquecível. É sinal que sabemos até onde vai determinada estrada (ou mesmo até onde não vai).
Sabida a desilusão, resta-nos colocar aquela música, fazer aquele bom café, chorar em câmera lenta, escrever somente para que possamos ler nossos sentidos no presente (ainda seremos presenteados!).
Queríamos tanto uma valsa de alma, vários “muito obrigado!”, infinitas mensagens que gelam a barriga ao meio-dia, encontros que fariam inveja em qualquer bom cineasta.
Desistir jamais, mas mendigar amor nunca.

DIOGO ARRAIS
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28 de setembro, 2016

NOIVA BEIJA OUTRO NA DESPEDIDA DE SOLTEIRA

alien

Quem não quer ver erro deve se distanciar dos seres humanos; da relação. Eu erro, tu erras, nós erramos. Na convivência, o pior é errar sabendo que outro vai se machucar e, aí, é não ter medo de colocar tudo a perder.
Antes de toda ação, deve haver o filtro do outro. Sabe aquela máxima “na dúvida, não faça!”. Despedidas de “solteiro”, quando em princípio as pessoas estão noivas, são arriscadas quando repletas de goles etílicos, excessos e irresponsabilidade.
Terminou tragicamente o noivado de Pablo e Emma, quando a foto de Emma beijando um rapaz (que ela conhecera na despedida) viralizou na rede mundial de insanos computadores.
Para mim, Pablo exagerou ou – já indeciso quanto ao felizes para sempre – usou o fato como justificativa para o ponto-final. Foi rígido, e as pessoas têm total direito de normas fixas.
No entanto, pergunto-me onde fica o perdão. Pergunto-me onde fica o colocar-se no lugar do outro, diante de um momento de tamanha mudança. Eles mudariam de lar, construiriam um ninho, discutiriam espaço no guarda-roupas, misturariam chaves de carro e casa, brigariam diante da mania do outro, teriam filhos.
Emma também poderia estar sufocada; desesperada para rasgar os convites de casamento e gritar ao seu ego: “Eu quero mesmo é estar só!”. Ela é livre, como qualquer um, mas pega mal não ter dito cara a cara sua real intenção.
Se eu fosse Pablo e ouvisse o pedido de desculpas, veria o episódio para colocar à mesa as cartas; para evoluir. Sem jogo, mas com amor. Mesmo porque acredito naquele título de drama do Carpinejar: O Amor Perdoa Tudo.
Por isso, é que existe o Senhor-Solução-A-Muitos-Casos: o diálogo franco, aberto, repleto da lágrima mais verdadeira: a confissão.

DIOGO ARRAIS
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27 de setembro, 2016

devo muito ao amor platônico

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É muito viva a memória de Lorena, a garota simpática do oitavo ano B, meu grande amor platônico. Acho que foi uma das primeiras vezes que ouvi uma canção quando alguém ri. E ela me fazia cantar como quem descobre um novo mundo.
Era um sofrimento muito prazeroso ficar enfeitando cartas de amor com os melhores vocábulos que um dicionário poderia ter. A qualquer momento que eu pensasse nela, batia em mim o cuidado em selecionar cada sílaba do meu amor. Um dos mais fortes que senti até hoje, mesmo sendo platônico.
Lorena, com toda aquela educação que a tornava mais bonita ainda, parecia – no fundo – saber de minha devoção. Ela era minha santa sentimental, e eu ajoelhava minhas sinceridades de mais que apaixonado.
Volta e meia, inventava algum favor a ela, somente para me aproximar daquele aroma que abraçava meu peito. Disfarçadamente, eu inspirava bem forte o ar, para ter tempo de ficar com o cheiro de Lorena, o máximo possível, dentro de mim.
Depois dela, passei a entender a importância de ficar horas parado agraciando o horizonte, e agora sei que quando isso perde sentido não existe amor. É o amor como aquele grande amigo que se ausenta – bate uma saudade!
Às vezes, fico triste por saber que as manhãs recheadas de Lorena, seu riso, olhar, educação e cheiro, não mais existirão. Fico triste por saber que os amanheceres terão um sol não mais tão completo. Fico triste por não poder frequentar aquelas aulas do melhor sentimento que uma criatura pode ter.
Em palavras concretas, Lorena educou meu abstrato amor; ela foi minha professora de versos simples, que hoje se tornam ternura e verdade. Lorena é o que eu diria anjo da guarda.
Obrigado, meu amor!

DIOGO ARRAIS
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