18 de setembro, 2016

O BEIJO NA BOCHECHA

Como o convite à dança, é o beijo na bochecha. Ir direto à boca perde o charme, a coreografia, a conquista. Bochecha é um local histórico – de cumprimento e carinho.
Bochecha é o tapete de nossos cômodos sentimentais. É ali que decoramos as almas que nos cumprimentam. É para esse lugar do corpo que sempre fechamos os olhos, esperando um bom vento que posso renascer “risos bochechais”. Sim! Bochechas sorriem quando são acariciadas por gente e por vento.
Bochecha é a nossa parte mais ingênua, a menos preconceituosa, não enxerga quem quer que seja. É macia como colchão king size. É receptiva, como o riso da avó que revê o neto no domingo. Ali, próximo à maçã do rosto, há um sempre combate sempre à frieza. Não há bochecha gélida.
No mundo, deveria haver uma campanha: “Valorizem mais as bochechas!”. Porque lá é a nossa primavera epitelial, e não me venham com essa de mudança de estação.
Nas bochechas, estão nosso verde gramado, o mais bem cultivado em todo o território dermatológico. Gente boa, quando chega ao céu, é sempre premiada por Santo Antônio:
– Por ter sido um ser humano reto, poderá dormir sobre uma bochecha de sua escolha! Parabéns!
Bochechas já encerraram guerras. Duvida? Tente, pois, agora, acabar com uma discussão daquelas com um beijo na bochecha (recheado de um sorriso de paz). Sua chance é enorme de conseguir a retribuição.
Um beijo!

DIOGO ARRAIS
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17 de setembro, 2016

SOBRE DEIXAR DE CHORAR

desaprendeu

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16 de setembro, 2016

Flashback – Semente de Plástico

flashback

Flashback, na maioria das vezes, é plantar com semente de plástico.

– Alô, Karina! Volta para mim? Eu não consigo nem esquecer o número do seu telefone.

Ele e ela se encontram e acontece o flashback. Flashback é um misto de saudade, de perigo, de indecisão, de vontade, de carência. Uma mistura alucinante, como droga.
No entanto, pode ser o indício de que é preciso mais, de que é preciso o retorno à relação que tão bem fazia aos dois. Porque não há nada mais intenso que aquelas noites regadas a séries televisivas, aquelas taças de vinho, aqueles momentos de renascimento de felicidade.
Para a volta, é preciso se render à humildade, às palavras honestas e emocionantes:
– Karina, eu te amo de verdade e não consigo viver longe de ti.
E que se lasquem os corações de pedra de plantão que criticarão o choro. O amor verdadeiro é a energia que nos transforma em adultos com choros sonhadores e sinceros – como crianças que reveem amigos após longa data. E abraçam forte…
Se não é para voltar ao compromisso, fuja dos riscos do flashback. Corra, descamisado, ao novo. Nu de preconceitos. Viaje. Diga “Que prazer!”, baixe aplicativos na internet, faça um curso de cinema, conheça gente que trará novos oxigênios poéticos. Além disso, se você nunca foi disso, é hora de conquistar o novo que está esperando sua química de braços abertos.
Quer ter uma vida de romance ou de quadrinhos? Pois o flashback para alimentar carência pode transformar tudo em charge de péssimo gosto.
Cuidado com a alma é cuidar de si, é regar o coração com a água mais filtrada pelo seu desejo. Sabe aquele romance novo intenso, que a Karina desperdiçou, para simplesmente viver um flashback? Pois é: ela voltou para a relação que ela chamava de ridícula, e agora está (de novo) aplaudindo com dores noivados alheios.

DIOGO ARRAIS – @canalmesmapoesia
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