08 de setembro, 2016

EXISTE PRÍNCIPE ENCANTADO?

Existe sim príncipe encantado. Existe gente encantada. Gente que acredita em sonho, gente que acredita no improvável. Gente que faz o improvável dar certo. Gente “maluca”, que faz da vida Arte.
Como achar gente assim, tão rara? Sendo raro, valorizando a raridade, observando pássaros que distribuem abraços. Aplaudindo o orvalho, dançando sozinho a vida em plena avenida Paulista. Distribuindo panfletos de amor ao senhores problemas.
Gente encantada tem mania de poesia. E sabe rir, emocionando. E sabe chorar, rindo. Gente encantada está sempre aficionada por melhorar o caráter. Não se vende para se casar sobre palcos de porcelana.
Gente encantada não está apenas em histórias. Faz questão de ser história. Torna-se personagem principal, agradece conflitos. Resolve. Vai, ao longo dos anos, entendendo quão importante é compartilhar.
Gente encantada aprende pedir desculpas; areja os cantos da casa com perdões descamisados, pois a desculpa com ação é nua e ingênua. Não veste a marca da grife que maquia rancores.
E por que muitos afirmam que não há o príncipe/a princesa encantados? Porque, pela correria e excesso de responsabilidade, são fiéis a conceitos sociais. São obedientes até demais. Não picham os muros do coração com a paixão depois das 18h. Não têm muito tempo para as coisas que vêm além do expediente. Batem cartão, dão um selinho, viram para o lado, dormem. Ponto-final.
O muito obediente ao jardim do vizinho não viu nada de encantado no mundo.
Ao mesmo tempo que é fácil, é difícil, mas possível: descer do muro voyeur, entrar em casa, varrer conceitos e abrir a porta para uma senhorinha boa (e também encantada!), que está há um bom tempo tocando a campainha: a felicidade.

DIOGO ARRAIS – VÍDEOS DE AMOR NO CANAL MesmaPoesia (YouTube)
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02 de setembro, 2016

UM DESCARTÁVEL CHAMADO PROFESSOR

Professor giving class at the blackboard

Levantar-se muito cedo; apresentar-se a centenas de pessoas; preparar-se para ser julgado. Servir sempre; reclamar jamais. Este texto provém da córnea de um Professor.
São pouco mais de 7 horas, em pleno segundo semestre, quando Adolfo (o professor de Física) diz:
– Galera, galera, bom-dia!
Em meio a um ambiente de muita sonolência e olhares de desprezo, ele inicia o desenho de seu quadro (a giz ainda) e pede seu primeiro silêncio. Depois mais uma dúzia, até começar a vistar o caderno de cada aluno.
Começa a exposição da matéria, quando vê que Júlia (a rebelde da terceira fila) não interrompe o balançar negativo da cabeça. Incomodado, Prof. Adolfo questiona:
– Alguma dúvida, Júlia?
Em rápida exclamação, ela vira a cabeça à sua colega e diz:
– Véi, esse cara é louco!
Adolfo retoma a exposição, reflete, muda a voz, fica sem-graça, faz outras explanações criativas, mas comete o defeito de criticar a obra de Lucas Lucco. É rapidamente chamado à coordenação.
– Prófi, sua aula até que é boa, mas os alunos não gostam de sua opinião sobre cantores sertanejos.
Preocupado em garantir seu emprego, diz:
– Vou melhorar. Perdão!
Volta um pouco à sala do coordenador e indaga:
– Posso falar com os pais de Júlia sobre o comportamento dela?
Coordenador responde, com largo sorriso:
– Claro, mestre! Estamos juntos e não admitimos desrespeito.
Na reunião, Adolfo é enfático junto aos pais da garota malcriada. Envergonhados, dizem que irão reprimi-la, que não aconselham nada disso em casa.
Pela crítica do físico e educador, retornam à escola e incentivam um abaixo-assinado para aquele infeliz professor. Coreografam, no carro, marido e esposa:
– Ele não sabe com que família está falando! Nós somos os Almeida!
Em um final de ano óbvio, Prof. Adolfo é convidado a buscar outras escolas. É demitido por ter sido reprovado pelos alunos.

DIOGO ARRAIS – www.youtube.com/mesmapoesia

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