30 de novembro, 2016

ZOMBARIA

Nunca zombe de uma árvore que balança
apesar dos finos galhos e poucas folhas

Não deboche do Ipê abraçado ao vento
porque a natureza sabe ser muito mais cruel
com quem sátiras impensadas faz

Não interrompa a leitura do broto
que entende as rimas da geração

Árvores redigem mensagens
são sempre vorazes por vida
sombreiam quaisquer animais esgotados do dia

Um homem no ápice do amor
consegue arborizar
é apto ao fruto
não teme secar
fica em pé
é mais forte que o incêndio
vê na luz seu também alimento de paz

O arborizador aceita as estações
mais que isso
precisa de cada uma delas

Há, pois, beleza maior que
entender inverno após verão?

Quando olho uma árvore
é ali que minha alma quer estar

Das cinzas de um bom ser
nascerão folhas de histórias atraentes
a sabiás, a canários e a curiós
que ali pousem
ninhos façam
acordem
adormeçam
arborizarem novos horizontes

DIOGO ARRAIS
www.youtube.com/mesmapoesia

arvore

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29 de novembro, 2016

COMO DÓI ESTE ADEUS, CHAPE!

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Não conheço dor maior que a morte inesperada, repentina, trágica. É como ver a mãe dando adeus, separando-se para sempre de seus familiares tão amados e queridos. Falta o fôlego, sobram lágrimas.
Que tudo um dia se vai nós sabemos, mas sangramos qualquer razão quando há a ida sem a despedida. Por quê? É só isso que buscamos – um porquê já terrível.
A Chapecoense representa nosso familiar que venceu na vida e, prestes a honrar ainda mais o sobrenome, vai e nos deixa engasgados, desamparados. Representa nosso amigo atleta que honra a cidade; representa nossa garra, nosso povo, nossa luta, nosso hino, nosso sonho.
Chape querida, tão verde em nossas esperanças, a quem agora (como torcedor de futebol) invejarei? Quem usarei como exemplo honesto de equipe? Tu eras a simplicidade encantadora, a surpresa aguerrida num mundo esportivo de cifras imensuráveis. Dói tua ida, dói demais, e atinge até quem não compreende o amor que corre aquelas quatro linhas.
O Futebol brasileiro perde precocemente um filho querido, disciplinado, atrevido, de boas notas escolares, dedicado, coeso. Nosso mundo perde gente, atleta, jornalista, talento, pai, tio, avô, humano, contador de história, crente no amor.
O azul do céu de risos – tão resplandecentes pela vitória suada – deu lugar ao silêncio, ao incompreensível sobre nossa fragilidade e fugacidade. Um dia, vivos; outro dia, pó e lembranças.
Senhor Deus, hoje eu não entendo é mais nada. Deixe-me aqui chorar mais.

DIOGO ARRAIS
@diogoarrais

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15 de novembro, 2016

MINHA ESTUPIDEZ

indiferenca

Que bom seria se eu pudesse ter um pouco mais de paciência com o outro. Paciência com os erros, paciência com as indiferenças, paciência com a personalidade alheia. Com o signo, com as manias, com os gostos. Quão melhor eu seria!
Ah! Se eu pudesse me enxergar mais e ver minha estupidez com a maioria das situações… mas não – prefiro me trancafiar na famosa zona de conforto e achar que o outro é o estúpido da história. Santa ignorância a minha!
É como a minha limitação diante de uma garrafa de vinho. Fico a lustrar a taça com opiniões insensatas e a semipostura de um famoso degustador. Ora essas! Eu deveria mesmo era me calar, ou me matricular em curso sobre a agradável bebida. Apreciar não é, de fato, entender.
Em se tratando de pessoas, então, lá vem a minha burrice completa. Fulano é assim, Sicrano é assado e ponto. Quem me deu o direito de achar algo de alguém? Ninguém, até mesmo porque opinar sem fundamento é causador de um mal sem-fim. Os dias passam, e pareço não entender…
Como eu querer amar uma mulher sem procurar compreendê-la? É a velha frase em traseira de caminhão: “Você só será compreendido quando buscar compreender.”
Apesar disso, é mais fácil emitir um “Nós não tínhamos nada a ver.” ou “Ela é maluca!”. Mais fácil agora, pior depois. Depois vou vendo que o errado da história foi pensar que o ser humano é completo. Depois vou vendo que o meu mais mofado defeito é ter achado que sou alguma coisa. Putz! Que lamentável!
Ser ciente de que “sou nada menos que ninguém”, ao menos durante a escrita deste texto, alivia-me; castiga-me de maneira justa, pois poderá, meu Deus, querer aprendizado sem a mínima paciência.
Ninguém sabe muito, sabemos muito pouco, mas duas pessoas pacientes que sabem muito pouco (e estão a fim de trocar aprendizados) já saberão um pouquinho mais.
É apenas um texto para que você tenha noção do tamanho da minha humana estupidez.

DIOGO ARRAIS
www.youtube.com/mesmapoesia

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