01 de dezembro, 2016

Decoração

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Quando deixamos o amor entrar, a casa se decora de felicidade. Não são os móveis “vintage”, a cama king-size, nem o sofá de último modelo que a completarão. Sem o sentimento maior, a casa estará sempre vazia.
Quem deixa o amor entrar tem a ternura como morador; a toda hora, é momento de um bom brinde à maior emoção: amar e amar. Tudo que é decoração exige amor.
Porque o amor não avisa, não toca campainha ou interfone, ele simplesmente chega. É preciso, pois, estar atento ao menor movimento para que a porta esteja aberta, os braços e peitos também. As lágrimas? Elas surgirão tanto repentinamente quanto.
Com a casa decorada de tamanha felicidade, nossos amigos sentirão algo de muito poético em cada canto. Casa amorosa canta Djavan em lá maior, com cheiro e afinações de energia pura. As paredes riem até de madrugada, irradiam novos céus e assoviam para o pôr do sol.
Amando, corremos pelo corredor agora enfeitado. Agradecemos à planta na varanda, vestindo a velha camiseta de algodão. Entrelaçamos pernas sobre o sofá, assistindo a clipes musicais românticos, beijando lentamente – tendo todo o tempo do mundo ao nosso lado. Tem sempre o tempo amigo quem deixa a porta aberta.
Lar amoroso cuida de cães, gatos, quadros, fotografias, livros, discos e vinhos. É um romance vivo, pronto a inspirar escritores, já que a palavra somente reproduz cotidiano e o que sentimos.
Quando a casa se decora de amor, a arquitetura reverencia os pilares da compaixão, o abstrato é enfim concreto. Os ventos chegam ainda mais refrescantes; a vizinhança faz festa e dá a melhor das boas-vindas; as ruas e calçadas tomam champanhe.
Uma casa só é casa quando se enche de amor.

DIOGO ARRAIS
www.youtube.com/mesmapoesia

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