20 de janeiro, 2017

Ouço Tendo a Lua

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Ouço Tendo a Lua

Comemoro
Longo instante
Dormirei sendo abraçado
Cabeleira loira sua

Pernas trançadas
Celulares desligados
Corpos conectados
Um quarto, um mundo nosso

Raiz entrelaçada
Base do abrigo
Sustento
Do fruto, o início

Lábios colados
Volume Máximo
Decorada alegria
O edredom, gramado nosso

Loira
Lua
Luminosa
Lascívia
Libido
Léxico

Linda
Levita
Louca
Liga
Liberdade
Lógica

Lar, lar, eu e você, laialará!

DIOGOARRRAIS

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20 de janeiro, 2017

O DIA DO ESCLARECIMENTO FINAL

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Quem ama viverá o Dia do Esclarecimento Final. Pode ser hoje, pode ser amanhã, pode ser daqui a muitos anos. Um dia, a pessoa amada receberá um baú com todos os cadernos documentados pela escrita sentimental. Ela verá cada sonho de amor, a que ponto era bem-quista, as expectativas para o futuro. Esse dia será de muita surpresa, saudade e emoção.
Nesse dia, verá descrita minuciosamente a felicidade do primeiro beijo; a gratidão pela existência, a admiração pelo dia a dia conjugal. Verá descrita a emoção da viagem, num entardecer qualquer, para a cidadezinha do interior. Vai se espantar ao ver (por meio dos versos) as quatro mãos, olhos frente a frente, em perfeitos retratos.
Aberto o baú do Esclarecimento Final, a pessoa amada sentirá o aroma doce das sílabas, que se reportavam à sua presença, às suas mensagens e ligações telefônicas. Ela sentirá o cheio do suspiro pontual em tantos beijos nus.
Saberá ainda mais a força da intenção amorosa. Verá como quem ama sempre teve sede de aprendizados, porque quis e quer ter visão madura de mundo.
Passadas algumas páginas, sentirá como as brigas foram episódios amenos. Ela se lembrará da reciprocidade das desculpas, dos perdões, porque casal feliz faz questão do saudável: sem culpa, sem medo, sem pressa, sem mentira, sem posse.
No Dia do Esclarecimento Final, é preciso que ela esteja sentada, pois com toda a certeza do mundo o surpreendente do mais puro fará nascer as lágrimas mais límpidas que o corpo conseguirá produzir. Cada página dos cadernos sentimentais, com tamanha letra cuidadosa, seguiu a caligrafia e o idioma da alma. Nessa hora, a pessoa amada fará carícias nos pontos, nos verbos, nas vírgulas. Parará um pouco, olhará para o céu, sorrirá para a margarida que brotou entre as pedras. Sentirá como sua vida, na dos outros, foi marcante.
O Dia do Esclarecimento Final é uma questão de justiça a quem cultivou o bem, a quem se entregou, a quem ficou horas pensando em mensagens sinceras, a quem enviou fotografias com legendas tórridas de paixão. Afinal de contas, conviver é escrever história.
Somos frágeis, porque somos humanos. Somos mais frágeis ainda, quando não damos tanta atenção à palavra do outro. Por tudo isso, nada mais justo e emocionante que sentir novamente os melhores dias, lendo o Esclarecimento Final.
Pode ser hoje, pode ser amanhã, mas esse dia chegará.

DIOGO ARRAIS – para o meu blog mesmapoesia.com.br

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18 de janeiro, 2017

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Não pare
Não se submeta a sufocos bobos
Não entenderão seu passo largo
Seu sossego
Seu riso frouxo

Apenas não pare
Talvez não haja outra mão neste percurso
Vá assim mesmo descalço
O banho será em outros rios
O cochilo em vilas nascentes
A comida em novos campos


Não pare
Não dará tempo de agradecer a todos
Tudo vem tão veloz
Vai mais rápido ainda
Acredite
Porque sem fé nada tem motivo

Fé no caminho
Fé na escolha
Fé no amor
Fé na vida
Fé na palavra

Uma vez
eu fui
voltei renascido
Por isso te peço
do fundo do peito:
Vá!

DIOGO ARRAIS – youtube.com/mesmapoesia

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