22 de fevereiro, 2017

REFLEXÃO

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Com o intuito de aproximar-me mais da felicidade, procuro sempre refletir sobre algumas questões.
Para não me arrepender? Conto antes. Não existe ninguém no mundo que não tenha pensado em loucuras. O pensamento é um território que precisa ser dividido. O único segredo à confissão é confiar. Se confio, falo com a medida para não ofender.
Por que não ser machista? Machismo é uma desgraça. O homem que se acha superior à mulher carrega a dor implacável de distanciar-se do amor ou ter alguém apenas por interesse material. Homem assim não vê que se definha ao longo do tempo; não pede ajuda; não admite fraqueza carnal ou espiritual. Acha que é “de aço”, quando é – pois – o mais fraco.
O que eu quero de uma parceira? Que me traga bons risos, que me deixe ser livre, que seja saudável, que entenda meus sonhos, que seja por afinidade.
Gargalhar? Sempre!
Posso demorar a chorar? Jamais, pois quando as lágrimas demoram, será um desespero total do acúmulo. Choro é como suor, é externar algo corpóreo, vital à mente e ao corpo. O choro de saudade, o choro de amor, o choro aleatório, o choro por pedir perdão, o choro por ter gratidão… A emoção equilibra o miocárdio.
Errei? Digo logo que errei, sem medo, sem trânsito bobo. Mesmo que esteja diante de um grande líder no mercado de trabalho, ninguém no mundo acertou a vida inteira. O imperdoável será querer reverter um erro grosseiro em acerto de filósofo grego.
É muito curioso como as pessoas estão dispostas a perdoar, mas para isso é preciso ação, plantio de novas atitudes, de gentilezas até então não vistas. Desconheço algum caso no mundo em que a humildade não tenha reconstruído novos dias.
Posso desejar o mal? Desejar o mal a alguém é um atestado claro de sofrimento. Vale a competição, o querer ser líder, o buscar mais espaço. Não valem o ódio, o envio de energias negativas, o transferir prejuízo a alguém.
Sou perfeito? Não. Caminho lentamente para minimizar erros, para entender a dor do outro, para respeitar mais, para calar-se mais, para estudar mais, para agradecer mais. No entanto, quero melhorar e isso já é um degrau.
E se me criticarem mesmo assim? Isso é inevitável. Seres estão em estágios distintos.
Ao fim da reflexão acima, costumo elogiar, pois esse verbo tem uma força danada.

DIOGO ARRAIS

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10 de fevereiro, 2017

MERCADOLÓGICO

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Numa relação amorosa saudável, não há mercado, não há currículo, não há chefia, não há subordinação, divisão de lucros, metas ou código social de conduta. No entanto, muitos transferiram o mundo corporativo às relações pessoais. Passaram a buscar um amor mercadológico.
Assim sendo, o parceiro ou a parceira punirá qualquer deslize, pois não quer um companheiro, mas sim um funcionário. Não aceitará atrasos, cancelamentos ou mudança de planos. Pedir tem a linguagem da ordem. Vive “treinando” a pessoa amada, para futuramente selarem um Certificado de Pessoas Hábeis ao Casamento Perfeito.
Quando a relação se parece com o mundo empresarial, acontecem reuniões protocolares, para tudo há um horário, existem recompensas pontuais, as contas bancárias são símbolos de alegria ou tristeza. Não há confraternização sem motivo – tudo é condicionado à produtividade e o egoísmo está em alto volume. Chegar à presidência fascina.
Uns são tão exigentes que quase soletram aos amigos: “Eu demiti a pessoa da minha vida!”. Expressões desta forma são comuns: “Ela não se encaixava nos meus parâmetros.”, “Não tinha ambições suficientes!”, “Não tinha as graduações necessárias para o Amor.”.
Na relação mercadológica, existe o interesse, e não existe o contemplar. Tudo, absolutamente tudo, tem regra; é burocrático (até mesmo o sexo). E o pior: não entendem o porquê de usarem a expressão “falência”. Ora essas! Vivem como se fosse uma empresa, querem administrar o sentimento como um bem material. A busca não é por coração aberto, mas uma sociedade limitada.
Sócios não se contemplam por horas, não têm olho no olho, não ficam deitados largados pela sala de estar, não se admiram lentamente. Sócios têm fome de capital, mas não da troca de elogios. Sócios querem construir paredes, salas enormes, mesas descomunais, garagens automatizadas em um condomínio fechado.
Sócios não caminham descalços pelo parque, às onze da manhã de uma segunda-feira, não leem um poema ao outro, não fazem mais cócegas, não contam piadas bestas no meio do voo de férias. Infelizmente se programam para chorar apenas em dia fúnebre.
Sócios precisam verbalizar em restaurantes chiques a palavra mais subjetiva da humanidade: sucesso.

DIOGO ARRAIS para o blog mesmapoesia.com.br

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08 de fevereiro, 2017

Apaixone-se

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Nos meus lembretes, sempre deixo grafado: apaixone-se. Sem medo, sem culpa, sem a necessária espera por resposta. Faz um bem danado usar as palavras para representar o que de mais belo temos: sentimento.
Apaixonar-se pela vida, pelo céu azul, pelo canto do pássaro, pelo riso da morena na esquina, pelo abraço de mãe. Apaixonar-se por nossos sonhos, por nosso lar, por nosso travesseiro, por nossa mania de “felizes enquanto dure!”.
Os destemidos em relação à paixão são ainda mais fortes, traspassam a timidez da declaração, adoram ser desafiados, plantam rosas em terrenos atípicos e colhem amores – até então – inusitados.
Sabe uma coisa? É uma enorme qualidade “não estar nem aí” para o que os outros vão pensar. Afinal de contas, cada um tem seu momento, sua dor, sua estação (alguns invernos, outros verões). Na maioria das vezes, não compreenderão como você sente. O famoso ser “desencanado” nutre primeiramente sua felicidade; sendo feliz, será forte o suficiente para surpreender (e até mesmo mudar) todo o mundo ao seu redor.
Quem se apaixona consegue fazer do instante de amor a maior das lentidões, pois não despreza momentos, situações, diálogos. Nota cheiros, acaricia palavras, tem a educação de ouvir o quanto for necessário.
O apaixonado admira a emoção; é devoto do verbo apreciar. Canta intensamente uma música antiga do U2, é fã de Renato Russo, cantarola um samba de Cartola, arrepia-se com a afinação de Winehouse, ajoelha-se em frente à nobreza do Queen. O apaixonado não segura o choro quando passa uma música boa no rádio.
Nos meus lembretes, também deixo sempre grafado: apaixonar-se é um constante renascer.

DIOGO ARRAIS

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