08 de março, 2017

Mulher

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É um dia da esperança. É um dia em que caminhamos para a evolução, pois já passamos da hora de viver 365 dias, por ano, o 8 de março. É hora de não apenas os parabéns, mas é hora do respeito.
Que não haja o assédio, mas a cortesia.
Que as oportunidades sejam ofertadas de maneira justa.
Que honremos o dom materno (pois de um útero sagrado viemos todos).
Que a gravidez não seja vista como empecilho, mas como dádiva.
Que aprendamos a persistir pelo nosso espaço.
Que não invejemos o dom alheio, mas aplaudamos.
Que estudemos a História para não errarmos no futuro.
Que meçamos as palavras antes da pronúncia (ficar no pensamento é, às vezes, mais adequado).
Que ouçamos quem tem a dizer.
Que não confundamos doçura com fraqueza.
Que não fujamos da responsabilidade paterna (quando houver).
Que a Lei seja cumprida.
Que elas possam escolher o caminho que quiserem.
Que Cecília, Cora e Clarice sejam ainda mais lidas.
Que possamos ser ávidos pela desobsessão.
Que Ella e Elis sejam ouvidas.
Que uma alma não seja tratada como objeto.
Que a mulher não desista de ensinar.
Que homenagens não se resumam a rosas, pois ações contraditórias murcham qualquer jardim.
Sou pequenino no trato com o Feminismo. Caso tenha sido idiota em algum ponto, entenda (por gentileza) a intenção do aprendiz errante ao homenagear (e corrija-me imediatamente).
Um 8 de março muito reflexivo a cada homem de nossa comunidade.
Mulher, geratriz do mundo.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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03 de março, 2017

VOCÊ É VALE

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Você é vale, coberta de céu azul, rodeada de árvores sorridentes. Os pássaros curvam-se para o caminho de seus lábios, cantando livres nos acordes de sua paisagem. As folhas, debruçadas com o vento, fazem um chiado pacífico – num vaivém que corta o ar de tanta emoção.
As nuvens reúnem-se de mãos dadas, e já não querem mais aquelas tempestades. Elas estão tão branquinhas que apenas refletem a harmonia do clima sereno, seu, de nada pedir, mas apenas agradecer. Nuvens são sempre mais bonitas quando foram criadas sem a poluição de mentes.
Você é vale. Lá no meio, há uma cachoeira a escorrer no seu seio centenas de bilhões de moléculas límpidas. Do alto, reparo, e minhas lágrimas imitam o mesmo movimento – como um córrego a caminho desse rio.
As gramas sempre tão verdes são a base daqueles algodões que se encantam por frutificarem em terreno fertilizado pela liberdade. É sua pele, macia, de mulher que abraça, que não joga, que se declara. Seu solo é como poesia despretensiosa, sem rima, grafada com o pulso.
Correndo um pouco, tropeço por querer. Deito-me sobre flores amarelas e roxas. Elevo algumas, e é como se beijasse seus pés. Cometo a insanidade de, ali mesmo, fazer um buquê e sorrir frases com pensamentos ainda inexistentes. Faz um sol que não arde, que apenas bronzeia minha pequenez corpórea. Algumas formigas chegam a aplaudir.
Descobrindo um pouco mais, chego a uma sombra. Olho para cima. É o reflexo da cabeleira mais cheirosa que pude sentir na vida. Descanso, pacifico-me, até ser acordado por um canto ao longe. Minhas memórias vão até o momento em que sou capaz de desenhar cada centímetro de suas pernas, você bailando diante da minha visão.
Quanto mais admiro, mais beleza vejo.
Eu chego a esse local de maravilhas assim que abro a porta de nossa casa. Você está sempre de braços abertos; paro as horas; contemplo seu jeito natureza de ser. Preciso confessar-lhe: é revivente encontrar o vale.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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