15 de setembro, 2016

A história de Eduardo – um garoto tímido

veiasentupidas
Definitivamente as pessoas não entendem gente tímida. Definitivamente. Eduardo gosta de Maiara, mas existe um problema – ele é o mais tímido da cidade, do estado, do mundo. Conclusão: lembrará para sempre, com dor, a mulher que nunca entendeu aquele amor gigante.
Eduardo espera ser reparado em detalhes. Maiara só funciona com a palavra rasgada, na lata, dita e escrita em alto tom. Maiara é atitude.
Eduardo espera que a mínima gentileza possa gerar atração. Maiara quer ver até que ponto vai a “sem-vergonhice” dele ao dizer:
– Eu estou apaixonado por você, Mai!
Maiara quer ter o convite para sair. Eduardo não sabe como. Ele só sente uma guitarra solando no peito, acordando o amor, mas aos outros não sai o som de nada.
Eduardo tímido, ciente dos degraus até Maiara, ensaia. Beija a parede, escreve cartas, sua frio e – por dentro – está desesperado. Eduardo já fez várias festas sozinho e em silêncio.
Ninguém, nem mesmo sua família, o entende. Dizem sempre:
– Eduardo, que frieza é esta, menino?
– É nada não, mãe! Sou assim.
E Maiara começa até a desconfiar que Eduardo talvez nem goste de mulher. Ela conversa com as amigas, diz um “que garoto bonitinho e estranho, aquele que senta lá no fundo sala”.
Não! Maiara jamais entenderá um tímido, porque esse tipo de gente não traz nenhum prazer a ela.
Então, Eduardo – mais inquieto que time perdendo por cinco a zero em final de Copa do Mundo – cria a coragem, justamente no dia 8 de novembro, dia de seu aniversário.
Desce correndo as escadas, declara todo o seu amor em frase clichê, e ouve em câmera lenta:
– Se liga, garoto! Não beijo gente que treme ao falar comigo.
Dudu, como conhecido entre os parceiros do Futebol, rasga os inúteis versos de Fernando Pessoa, que decorara.

DIOGO ARRAIS
Insta: @canalmesmapoesia
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