29 de novembro, 2016

COMO DÓI ESTE ADEUS, CHAPE!

chapecoense-1-800x534

Não conheço dor maior que a morte inesperada, repentina, trágica. É como ver a mãe dando adeus, separando-se para sempre de seus familiares tão amados e queridos. Falta o fôlego, sobram lágrimas.
Que tudo um dia se vai nós sabemos, mas sangramos qualquer razão quando há a ida sem a despedida. Por quê? É só isso que buscamos – um porquê já terrível.
A Chapecoense representa nosso familiar que venceu na vida e, prestes a honrar ainda mais o sobrenome, vai e nos deixa engasgados, desamparados. Representa nosso amigo atleta que honra a cidade; representa nossa garra, nosso povo, nossa luta, nosso hino, nosso sonho.
Chape querida, tão verde em nossas esperanças, a quem agora (como torcedor de futebol) invejarei? Quem usarei como exemplo honesto de equipe? Tu eras a simplicidade encantadora, a surpresa aguerrida num mundo esportivo de cifras imensuráveis. Dói tua ida, dói demais, e atinge até quem não compreende o amor que corre aquelas quatro linhas.
O Futebol brasileiro perde precocemente um filho querido, disciplinado, atrevido, de boas notas escolares, dedicado, coeso. Nosso mundo perde gente, atleta, jornalista, talento, pai, tio, avô, humano, contador de história, crente no amor.
O azul do céu de risos – tão resplandecentes pela vitória suada – deu lugar ao silêncio, ao incompreensível sobre nossa fragilidade e fugacidade. Um dia, vivos; outro dia, pó e lembranças.
Senhor Deus, hoje eu não entendo é mais nada. Deixe-me aqui chorar mais.

DIOGO ARRAIS
@diogoarrais

Compartilhe este texto
Escreva seu comentário

* Preenchimento obrigatório. Seu email não será divulgado.
Quer que sua foto apareça no comentário? Clique aqui.
Comente pelo Facebook