13 de outubro, 2017

COMPARTILHAR ANTES DE TUDO

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O som baixinho na sala, o piso refletindo nosso longo abraço e a nossa companhia vestida de esperança. Ao seu lado, eu creio, eu confio, somos fortes, somos fé e esperança.
Aprendemos dia a dia o dom dos que compartilham: quietude na alma, horizonte ensolarado no peito, ventos azuis nas palavras, sons amigos nos tímpanos.
Dividir é uma das maiores artes na humanidade. Doar intensamente o elogio, corresponder a uma mensagem, não deixar à espera mesmo em dias de agenda lotada, dizer quão bonita é a habilidade do outro, ouvir e não julgar, e apenas compreender.
Há os momentos simples: a risada curiosa diante da tela do televisor, o slogan da propaganda decorada desde quando nos conhecemos, as poses românticas nas fotografias, o cozinhar de nossos pratos favoritos (como aquele risoto de camarão que há pouco fizemos).
Há os momentos mais complexos: o de você odiar que a tampa do vaso fique aberta, dos livros espalhados sobre a mesa, das meias atiradas pela casa, das lerdezas enquanto conversa seriamente, do jeito às vezes ríspido pela manhã.
Apesar disso, insistimos. Somos persistentes. Queremos esta vida a dois, neste cotidiano de diferenças e semelhanças que se entrelaçam. Queremos representar a união; nosso tempo está à disposição para a nossa maior conquista, porque chegar à plenitude dos entendem o sentido da vida é amar de fato.
A união faz-nos agradecer, faz-nos entender a nossa pequenez, faz-nos viver a brevidade dos calendários, faz os dias parecerem mais longos. Unidos, vemos milagres transformar as manhãs, passamos a ser mais atentos, deixamos certos medos bobos, respiramos mais felizes, conjugamos fraternais.
Compartilhar, antes de tudo, é ser caridoso consigo mesmo.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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4 Comentários
  1. Eliane  13/10/2017 - 14h33

    Oi Diogo, boa tarde! Adorei a sua crônica! Sua escolha lexical transmite a beleza dos sentimentos de uma forma simples e, ao mesmo tempo, sofisticada. No penúltimo parágrafo vc utilizou o recurso da repetição do verbo “fazer” construindo a ênfase necessária para a significação plena. No sexto parágrafo: “Queremos representar a união … à plenitude dos entendem o sentido da vida é amar de fato.” Eu poderia sugerir o pronome relativo “que” após o “dos” que, neste contexto, funciona como pronome demonstrativo? A frase poderia ser assim: “(…) porque chegar à plenitude dos que entendem o sentido da vida é amar de fato.” Aguardo o seu comentário. Gratidão.

    • Diogo Arrais  16/11/2017 - 12h08

      Exatamente! Tem total razão na percepção gramatical. Beijo!

  2. Cléo  13/10/2017 - 21h14

    Diogo, o tempo passa e seus textos continuam tão bonitos e carregados de sentimentos. Não tenho dúvida que você é uma dessas pessoas que tem o dom da palavra.