31 de maio, 2016

DESPEDIDA

É hora de ir embora. É hora de esvaziar os guarda-roupas, recolher livros e discos, encaixotar taças e ternos, fechar as janelas e os registros. É hora de ir.

É hora de revisitar as últimas madrugadas do lugar em que se viveu, rir do trânsito caótico, pedir já com saudade a coxinha do BH, o café do Chibanas, abraçar a dona Chiquinha e ficar longos segundos sentado sobre o banco da capelinha da rua da Glória.

Na cruel despedida, dói entender o olhar do amigo que, de longe, abraça-o com sobrancelhas que choram.

No momento de ir, restam – outrossim – retratos mentais: de vinhos poéticos, de papos amenos, de tardes e noites de esperança e retribuição. É da miserável rotina de que sempre teremos saudade.

E indo, de fato, choramos, rimos dos inofensivos apelidos, dos erros bobos, dos acertos, do que foi despretensioso, do que foi sonho, do fim do jogo.

Na despedida, até o que era ruim tem o seu lugar. No entanto, o que era bom estará sempre conosco nos nossos melhores aposentos, que jamais se empoeiram. Não estará, será. Do verbo eterno ser.

É! Os minutos passam, é preciso tirar os eletrônicos da tomada. O caminhão já está lá embaixo à espera da mudança. A mala, que vai conosco no carro, com roupa para poucos dias, tem zíper com barulho de adeus.

Quando é chegado o tempo, os olhos criam asas; o coração, pernas. Tudo sabe que é hora de partir.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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