27 de setembro, 2016

devo muito ao amor platônico

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É muito viva a memória de Lorena, a garota simpática do oitavo ano B, meu grande amor platônico. Acho que foi uma das primeiras vezes que ouvi uma canção quando alguém ri. E ela me fazia cantar como quem descobre um novo mundo.
Era um sofrimento muito prazeroso ficar enfeitando cartas de amor com os melhores vocábulos que um dicionário poderia ter. A qualquer momento que eu pensasse nela, batia em mim o cuidado em selecionar cada sílaba do meu amor. Um dos mais fortes que senti até hoje, mesmo sendo platônico.
Lorena, com toda aquela educação que a tornava mais bonita ainda, parecia – no fundo – saber de minha devoção. Ela era minha santa sentimental, e eu ajoelhava minhas sinceridades de mais que apaixonado.
Volta e meia, inventava algum favor a ela, somente para me aproximar daquele aroma que abraçava meu peito. Disfarçadamente, eu inspirava bem forte o ar, para ter tempo de ficar com o cheiro de Lorena, o máximo possível, dentro de mim.
Depois dela, passei a entender a importância de ficar horas parado agraciando o horizonte, e agora sei que quando isso perde sentido não existe amor. É o amor como aquele grande amigo que se ausenta – bate uma saudade!
Às vezes, fico triste por saber que as manhãs recheadas de Lorena, seu riso, olhar, educação e cheiro, não mais existirão. Fico triste por saber que os amanheceres terão um sol não mais tão completo. Fico triste por não poder frequentar aquelas aulas do melhor sentimento que uma criatura pode ter.
Em palavras concretas, Lorena educou meu abstrato amor; ela foi minha professora de versos simples, que hoje se tornam ternura e verdade. Lorena é o que eu diria anjo da guarda.
Obrigado, meu amor!

DIOGO ARRAIS
www.youtube.com/mesmapoesia – INSCREVA-SE

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