18 de agosto, 2016

a carta que meu cão escreveu do céu

 

angel dog

Au-au! Auuuuuu! Au! Que saudade! Como foi difícil ter que partir, mas tinha dores terríveis com aquela doença. Foi bom ter me aliviado. Você, meu caro painho, naqueles dias, sofria com o fato de eu não conseguir ter os mesmos latidos. Hoje quero falar de coisas boas.
Painho, quanta falta me faz o meu bichinho de pelúcia, que você apelidou de Fred. Lembra? Era uma alegria sem-fim ouvir sua ouvir:
“Corre, Bob! Cadê o Fred? Corre!”
E eu corria, patinava, fingia ser bravo e voltava com aquele sorrisão de amor por nossas brincadeiras. Lembro até hoje, quando ficava sozinho, que meu choro gemia, com vontade que você chegasse a casa.
Painho, também faz uma falta danada ouvir comportadamente o som da sua guitarra Fender, aquela azul que preenchia minha admiração. Eu fazia da sua bota travesseiro e era acariciado pela sua sinfonia. Como era gostoso ouvir aqueles solos de Eric Clapton. Lembra como eu estava já com os latidos sincronizados com a faixa Tears in Heaven?
Ah! Se eu pudesse voltar à Terra, se eu pudesse reencontrar a Ametista, minha amiga bulldog figura com aquela babação carinhosa. Ah! Se eu pudesse! Não se esqueça de mandar lembranças a ela, viu?
Como poderia ser possível voltar no tempo, passear junto a ti, Painho, como quando íamos ao parque e sentia seu orgulho por ser meu amigo. O melhor de tudo era ver que você entendia as minhas vontades – me levava para tomar água fresquinha, na cascata do lago.
Lembra das fotos selfies malucas que tirávamos? Eu tinha até Instagram! Era demais a vida que você me proporcionava.
Foi dolorido saber que eu tinha que vir para cá. Era o verdadeiro céu estar lá em casa.
Hoje, especialmente, Painho, foi me dada a honra de escrever esta carta a você. Sei que ela chega a você por meio de um sonho. Melhor assim, pois cada latido baterá junto de seu peito. E bom também porque posso sentir, de novo, o cheiro do meu cobertorzinho do Ben 10.
Auuuuu! Au-au! Tenho que partir. Meu tempo acabou.
Um cafuné com o nariz geladinho! Te amo para sempre!
ASSINADO: BOB

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais – www.mesmapoesia.com.br

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