21 de novembro, 2015

Menina com Cheiro de Rio

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Menina com cheiro de rio; concerto em noite de árvore; ária de luz; cascata com água de poesia; aroma de terra; campo dos meus desejos de pássaro; azul-correnteza em mim.
Ver-te é correr por nossos campos, é ser verde a nascer, é colocar no abismo a inútil noção de abandono(a noção de não asa), é sentar frente ao poente lento, é sublimar teus raios.
Ver-te, mesmo sem nenhum tipo de contato, é o conceito do admirar. Desenho-te, com um grafite ingênuo. Escrevo-te, nos meus analfabetos sentidos. Canto-te, em um decassílabo em homenagem a suas ruas. Toco-te, com um violão de uma corda só. Rezo-te, suo-te, visto-te.
Ver-te é vento na minha face canina, é o acariciar do sopro de mar. É a montanha sorrindo à areia, é brisa ao encontro de cada piscar por ti. É o renascer articulações com vida de bicicleta, é silenciar buzinas. É imagens, retratos, poses, sorrisos. Sou página, tu és tinta.
Ver-te é não mais temer a cegueira, mas somente a falta da memória.
Ver-te é o sopro do existir, é lágrima intacta que não cai, é um reinventar de cores, seduz o rosa, acalenta o amarelo, acoberta os marrons sábios, emoldura brancos. Chama teus vermelhos, gentilmente.
Tu tens cheiro de rio, menina. Tens sim. Sabes que mergulho nu em suas correntezas. Sabes que medito tuas palavras-chaves, que escuto tuas curvas úmidas. Bebo teus lábios potáveis.
Teu cheiro de rio, menina, dá a meu coração poderes olfativos.

DIOGO ARRAIS – @mesmapoesia

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