20 de janeiro, 2017

O DIA DO ESCLARECIMENTO FINAL

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Quem ama viverá o Dia do Esclarecimento Final. Pode ser hoje, pode ser amanhã, pode ser daqui a muitos anos. Um dia, a pessoa amada receberá um baú com todos os cadernos documentados pela escrita sentimental. Ela verá cada sonho de amor, a que ponto era bem-quista, as expectativas para o futuro. Esse dia será de muita surpresa, saudade e emoção.
Nesse dia, verá descrita minuciosamente a felicidade do primeiro beijo; a gratidão pela existência, a admiração pelo dia a dia conjugal. Verá descrita a emoção da viagem, num entardecer qualquer, para a cidadezinha do interior. Vai se espantar ao ver (por meio dos versos) as quatro mãos, olhos frente a frente, em perfeitos retratos.
Aberto o baú do Esclarecimento Final, a pessoa amada sentirá o aroma doce das sílabas, que se reportavam à sua presença, às suas mensagens e ligações telefônicas. Ela sentirá o cheio do suspiro pontual em tantos beijos nus.
Saberá ainda mais a força da intenção amorosa. Verá como quem ama sempre teve sede de aprendizados, porque quis e quer ter visão madura de mundo.
Passadas algumas páginas, sentirá como as brigas foram episódios amenos. Ela se lembrará da reciprocidade das desculpas, dos perdões, porque casal feliz faz questão do saudável: sem culpa, sem medo, sem pressa, sem mentira, sem posse.
No Dia do Esclarecimento Final, é preciso que ela esteja sentada, pois com toda a certeza do mundo o surpreendente do mais puro fará nascer as lágrimas mais límpidas que o corpo conseguirá produzir. Cada página dos cadernos sentimentais, com tamanha letra cuidadosa, seguiu a caligrafia e o idioma da alma. Nessa hora, a pessoa amada fará carícias nos pontos, nos verbos, nas vírgulas. Parará um pouco, olhará para o céu, sorrirá para a margarida que brotou entre as pedras. Sentirá como sua vida, na dos outros, foi marcante.
O Dia do Esclarecimento Final é uma questão de justiça a quem cultivou o bem, a quem se entregou, a quem ficou horas pensando em mensagens sinceras, a quem enviou fotografias com legendas tórridas de paixão. Afinal de contas, conviver é escrever história.
Somos frágeis, porque somos humanos. Somos mais frágeis ainda, quando não damos tanta atenção à palavra do outro. Por tudo isso, nada mais justo e emocionante que sentir novamente os melhores dias, lendo o Esclarecimento Final.
Pode ser hoje, pode ser amanhã, mas esse dia chegará.

DIOGO ARRAIS – para o meu blog mesmapoesia.com.br

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