31 de agosto, 2016

O DIA EM QUE A DANI NEGOU MINHAS ROSAS

Foi com quinze anos que a Dani negou um buquê de rosas dado por mim. Certamente um dos dias mais tristes de minha vida. É história e merece ser contada.
Com quinze anos ainda, tinha dados poucos beijos na boca e, na reunião para apresentação de um trabalho de Biologia, conheci lábios que me marcam até hoje. Quente, nem molhado, nem seco, sem dente batendo, mãos em cintura desenhada e o desejo de “fica comigo até o tempo não seja mais tempo”.
Nessa época, o verbo ficar era de pouca popularidade e aquele beijo foi suficiente para eu achar que seria namoro. Homens adolescentes (na verdade nunca deixam de adolescer!) são muito lentos e babões.
Por causa do beijo de Dani, ouvia qualquer tipo de música e pensava em amor. Em casa, na escola, no Inglês, no Futebol, tudo era Dani. A comida era Dani, o banho era Dani, a tevê era Dani. Que miserável foi ela quando me enviou uma foto só de biquíni! Uma foto impressa de biquíni! Sempre despi aquele retrato.
Bastava uma lerdeza dos outros, para que nós dois compartilhássemos língua. A adrenalina e o sentimento do beijo na escola temperavam mais aquela “situação” para ela, namoro para mim.
Esses históricos dias de minha vida duraram até o 12 de junho de 1997: Dia dos Namorados.
Nunca ganhei mesada, mas meus pais faziam questão de me dar um trocado. Guardava as ralas notas no cofrinho da Caixa Econômica Federal.
Um dia antes do fatídico dia, no dia 11, fui até a floricultura, acompanhado de todas as minhas economias. Escolhi as rosas mais bonitas diante do novato vocabulário romântico. Redigi uma carta, respeitando a caligrafia e com a tinta de minha artéria. Burro! Era só uma “ficada”.
À noite, dormi em frente às estrelas.
Chegado o dia, por volta das 9, um pouco antes do recreio, o coordenador avisou à classe de aula: “Dani, chegou um buquê para você!”. As colegas automaticamente olharam Dani e suspiraram; os colegas deram-me empurrõezinhos.
Dada a hora do recreio, furiosa, ela veio a mim com as frases “Você só pode ser louco!”, “O que eu vou dizer a meus pais?” e “Você não sabe o que é ficar?”.
Emudeci.
Ao fim da aula, Sarah (fã de Legião Urbana) viu-me recolhendo as rosas. Pediu-as. Entreguei. Sorri, com olhos baixos, pelos cantos da boca.
Ainda pude ver o meu amigo Marco André na esquina. Gritei para que ele me esperasse e subimos a pé para casa.
DIOGO ARRAIS
@diogoarrais e @mesmapoesia

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1 Comentário
  1. Márcia  01/09/2016 - 15h01

    Por conta de pessoas como “Dani” os corações românticos tornam-se gelados e cinzas…
    Oxalá! Ninguém encontre muitas “danis” em sua vida, porque o amor é o melhor deste mundo!