22 de março, 2018

RIR – VERBO TRANSITIVO

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Rir – contrair os músculos da alma, emitindo um amor característico, consequente da sensação mais etérea da esfera do viver.
Disse o mundo: somente o verbo rir é capaz de frases tão felizes e engraçadas. Só ele tem o poder de novas transitividades: eu rio novos afluentes quando amo; eu rio um amor tão puro a ponto de ver que os pássaros aqui querem beber; eu rio cascatas sempre quando desata qualquer dor a partir; eu rio tudo para nada secar.
Eu rio a palavra boa, desafeita das malícias provincianas; eu rio o horizonte laranja, aplaudindo a gratidão por sempre recomeçar; eu rio a frutificação dos campos; eu rio a solidariedade por entender que a força só faz sentido sendo caridosa.
E ela ri a música, quando eu rio o início dos versos; rimos as letras mais sonoras e o peito brilha a estrofe que nos ata, aquela no máximo volume em nossos quintais. Rimos os sons e emudecemos as rusgas rancorosas.
Um rio de amor hidrata dois afluentes que merecem se encontrar. São simples nascentes e – pelo poder da conjugação – passam a gerar novos seres advindos do poder miraculoso do máximo estado de paz.
Rios que respeitam as margens alheias vão juntos ao encontro do mar; vão juntos ao infinito aquífero, dando lugar a outras nascentes que também chegarão lá.
Se rio, flui. Se rimos, fluímos. Rumamos rio afora, conduzidos pela corrente do amar.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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