20 de setembro, 2016

UM CANALHA

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Canalhas só podem ser marcantes na literatura, no cinema, na série do Netflix. Não podem marcar a vida de alguém, a menos que seja para o aprendizado. Um brinde, por favor, se você – na vida real – não dá a mínima para um canalha. É o que ele merece, nada menos que o nada.
Canalhas não são apenas aqueles carinhas do fumódromo, olhinho de bêbado, papo cheio de xingamento e um carro da hora. Canalha não tem cor, não tem tamanho, não tem cheiro: apenas aparece. Por isso, é importante a percepção, caso você não queira conviver com um anti-herói desses.
Canalhas não têm aquele andado do barbudo do velho-oeste necessariamente; não são mal-educados, não são broncos. Alguns leem poemas, outros contos piadas. São sim sociáveis, alguns ultratímidos. Não são nem necessariamente homens ou mulheres – são gente.
Como reconhecê-los? Diga algo como “relacionamento sério”, ou “preciso de uma ajudinha na minha carreira profissional”, ou ainda “adoraria conhecer sua família”. Canalhas não querem ser amigos para sempre. Eles querem, oras!, as canalhices.
Canalhas são como copo de uísque: se você o reconhece e sabe o momento de dizer não, ele o respeitará. Se não o reconhece e acha-o “tranquilo”, espere sua memória começar a vir… 1, 2, 3.. é melhor deixar para lá.
Canalhas são como pôquer, inebriantes até o arrependimento por ter perdido tudo (ou quase tudo).
Os canalhas conseguem, às vezes, ser canalhas consigo mesmos. E amanhecem numa ressaca moral daquelas. E depois se arrependem mesmo é da ressaca.
Existe gente canalha que depois deixa de ser ou o contrário? Difícil, mas possível. Em se tratando de ser humano, você bem sabe: nem tudo que parece é (já dizia a máxima) e pode vir a ser. Ou não.

DIOGO ARRAIS
INSTA: @canalmesmapoesia
www.youtube.com/mesmapoesia

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3 Comentários
  1. Isabel Cristina  20/09/2016 - 22h40

    Você me encanta, Diogo Arrais! Adoro o Mesma Poesia…

  2. Cléo  08/11/2016 - 19h06

    Infelizmente, quase todos nós, vamos nos deparar com uma pessoa canalha na vida. Cabe a nós decidir se vamos deixar essa pessoa nos machucar ou não. O bom dos erros é que sempre aprendemos algo com eles.