27 de maio, 2016

Uma Força Verbal – o Subjuntivo

            Que as mais macias palavras escorram por nossas almas. Que campos de lírios, sorridentes, esperem-nos, ao lado da cachoeira de nossos quintais. Que badalares de sinos cochichem segredos afinados. Que finas penas registrem nossas frases com gosto de chuva. Que cigarras declamem sonetos bilíngues, à meia-noite de nossas estações.

            Desejos de amor são como os pianos, sonantes a quem compreende partituras.

            Que as cabeleiras voem além dos penhascos da vida. Que as xícaras coreografem valsas com taças, entrelaçando cheiros de saudade. Que os subjuntivos sejam conjugados em suas pernas, suaves nos andares às nossas avenidas. Que os olhares apalpem-nos sob brancos lençóis de paz. Que pores do sol ressignifiquem apelidos, em noitinhas de poesia. Que garçons tremulem diante de nossas mãos, que suam reciprocidade. Corramos agora pelo restaurante sentimental!

            Desejos de amor são como as árvores, incansáveis formas frutíferas.

            Que os pincéis chorem telas expressionistas. Que navios assobiem lembranças da paisagem de seu corpo. Que o leste-oeste abrace o norte-sul. Que a sede de sílabas filtradas hidratem-nos de ventos solidários. Que a amizade sustente palcos habitados de intimidade. Que as rádios sintonizem aqueles jazzes compostos por sabiás que jamais conheceram gaiola.

            Desejos de amor são como o azul, travesseiro tonante de qualquer poeta.

                                                                                    DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

 

 

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