30 de novembro, 2016

ZOMBARIA

Nunca zombe de uma árvore que balança
apesar dos finos galhos e poucas folhas

Não deboche do Ipê abraçado ao vento
porque a natureza sabe ser muito mais cruel
com quem sátiras impensadas faz

Não interrompa a leitura do broto
que entende as rimas da geração

Árvores redigem mensagens
são sempre vorazes por vida
sombreiam quaisquer animais esgotados do dia

Um homem no ápice do amor
consegue arborizar
é apto ao fruto
não teme secar
fica em pé
é mais forte que o incêndio
vê na luz seu também alimento de paz

O arborizador aceita as estações
mais que isso
precisa de cada uma delas

Há, pois, beleza maior que
entender inverno após verão?

Quando olho uma árvore
é ali que minha alma quer estar

Das cinzas de um bom ser
nascerão folhas de histórias atraentes
a sabiás, a canários e a curiós
que ali pousem
ninhos façam
acordem
adormeçam
arborizarem novos horizontes

DIOGO ARRAIS
www.youtube.com/mesmapoesia

arvore

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