06 de outubro, 2015

O Anacoluto

No estudo das figuras de linguagem, é muito comum a dúvida sobre o anacoluto. Etimologicamente, vem do grego “anakólouthos”, que significa “sem sequência, que não tem sequência com”.Costumo dizer que o anacoluto é uma quebra na construção da frase; uma mudança abrupta de estruturação do enunciado.

Na fala, por exemplo, é recurso geralmente muito deselegante. Personalidades políticas costumam proferir assim:

“O Brasil, ele é país que vai evoluir.”

“O Obama, tenho certeza que ele vai ajudar o Brasil.”

Já se pode até afirmar que o anacoluto – na fala – tornou-se vicioso, uma espécie de muleta. Para se evitar, vale sempre a lembrança da relação “sujeito-verbo-complemento” das orações de nossa Língua:

“O Brasil evoluirá.”

“Tenho certeza de que Obama ajudará o Brasil.”

No entanto, no texto escrito, o anacoluto transmite construções poéticas interessantes. Gonçalves Dias, em Obras Poéticas:

“O forte, o cobarde

Seus feitos inveja”

Caso pensássemos tais versos sem o anacoluto:

 “O cobarde inveja os feitos do forte.”

Além da construção poética, a ruptura presente no anacoluto serve para se reproduzir a fala de determinada personagem:

“Quero dizer que.. a minha vida, eu cuido dela!”

(Eu cuido da minha vida!)

Em termos mais simples, na fala e em textos considerados técnicos, o anacoluto não é um bom recurso.

DIOGO ARRAIS – @mesmapoesia e @diogoarrais

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