31 de dezembro, 2016

31 de Dezembro

fotocopamateria

31 de dezembro é um dia especial. É o dia de olhar para o céu, fechar lentamente os olhos, dando um longo abraço nas pálpebras. É dia de agradecer e perdoar. É o dia em que sabemos mais viver, já que agradecer o viver é a dádiva mais bela da humanidade.
Horas antes da virada do ano (exatamente agora!), coloco na vitrola Um Dia de Domingo, nas vozes cirúrgicas de Gal e Tim. Dou-me o direito de voltar no tempo de criança, enquanto canto cada verso dessa canção feliz.
31 de dezembro é minha tia Gesa, vestida de saia-rodada branca, dançando, gritando o ano-novo para a meninada na piscina, quando os fogos representam nosso grito de gratidão e promessas.
31 de dezembro é tio Hermes bebendo na golada, beijando os compadres. É meu pai recordando o mundial do Chile de 62, ao som de “fantástico!” do meu padrinho Sebastião. Lembram 1970 e se olham, como quem diz: “Que alegria!”
É tio Adelino abraçando quem chega, oferecendo uvas e espumante, e implorando para que o povo continue dançando.
31 de dezembro é o Zeuxinho satirizando palavrões à Dercy Gonçalves, em meio à risadaria de um dia que nunca mais poderia acabar.
31 de dezembro é a gargalhada de tia Sueli, que sinceramente deixa a da Fafá de Belém no chinelo.
31 de dezembro é o Renato saudando o Senna, Vivi cantando Roberto, meu irmão tocando teclado, Dona Maria chegando com a simpatia, tio João lembrando o Nordeste e as rimas do Repente.
31 de dezembro é minha mãe, com trinta de poucos, com o cabelo curtinho como o de Elis Regina, camisa amarela, ombreira, de mãos dadas à minha irmã moreninha do sol no Clube da Caixa Econômica Federal.
31 de dezembro é o tio Pedrinho revoltado com a política brasileira, entregando presentes atrasados do Natal (e ele sempre se esquecia de algum sobrinho, mas isso era mais divertido que o presente em si).
É a saudade do primo que se mudou para os Estados Unidos. São as primas de Brasília que chegaram em cima da hora, porque o endereço era complicado (e naquela época não havia GPS, muito menos a praga do WhatsApp).
31 de dezembro é o aceno de bênção da vovó, sempre dócil e com aquele olhar de poesia. É o colo do vovô, perguntando se alguma criança quer mais refrigerante e mais balinha Rintimtim que ele comprara no bar do Cruzeiro do Sul.
Era tanta gente chegando, tantos gritos divertidos, tantos beijos, tantos abraços, tantos textos e tantas palavras bondosas. Tudo era de todos, e tenho a certeza de que éramos visitados por Deus. Ele vinha aos pouquinhos com cada boa intenção, com cada desejo de paz para o outro a troco de nada. Certamente por isso eu sempre tive vontade de chorar no réveillon, por ver como um fim de ano é apreciado.
Tenho uma saudade danada desse tempo, mas é melhor assim, na saudade boa, pois nada mais perfeito que a memória feliz.
E assim, derramando um champanhe de tantas pessoas especiais, procuro repassar, em todos os 31 de dezembro, o que meus entes queridos ensinaram tão bem a mim.
Com olhos trincando de lágrimas, desejo que você leve da vida momentos ultrafelizes. Que você faça ainda mais história, mais amigos, mais sucesso, mais música, mais azul, mais carinho, mais confissão, mais reciprocidade, mais Amor.
Feliz Ano-Novo! Eu amo vocês!

Um abraço e um beijo do amigo,
Diogo Arrais

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23 de dezembro, 2016

Cerebelo

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A mente sente uma inveja danada do coração, enquanto este insiste em dramatizar o que vê pela frente.
Coração fica ajoelhado pela casa – chorando mágoas. Pede de presente a serenidade cerebral, a frieza para deletar momentos e pessoas.
Já a mente anda cursando um MBA para aprender sensibilidade (o que será inútil), espontaneidade e o valor do sofrimento. Vê cifras milionárias, calcula-as veloz, mas gostaria de saber o que é amar.
O sôfrego coração não tem noção da riqueza que é sangrar, chorar, ser defeituoso, não ter nascido para memorizar. Apesar de ser invejado, está na sarjeta, implorando por uma luz no fim do túnel.

DiogoArrais

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21 de dezembro, 2016

UM TAL DE NATAL

amanhecer-rio

Adeus ao ano
Adeus a este tempo
Adeus aos dozes meses que se findam

Dará saudade das derrotas e dores
Felicidade, flores e cachaças
O homem, contraditório ser, não vence sem ter problema
Um salve! a quem aceita desavença

Chegou a hora de estourar champanhe
De vestir branco
De abraçar com íntegro carinho
Mais um dezembro que se vai

É o tempo de rever conceitos
reler sonetos
reouvir canções
perdoar gente
respirar a paz

É a hora de presentear
De doar tempo
De ouvir intenso
Quem muito amor nos dá

Está chegando a meia-noite
Mais um renascimento
A alma precisa dar chance à carne
Que erra, que se distrai
Porque a perfeição do mundo
Está no “sempre é tempo” que o amor nos traz

DIOGO ARRAIS
youtube.com/mesmapoesia

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