22 de março, 2018

RIR – VERBO TRANSITIVO

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Rir – contrair os músculos da alma, emitindo um amor característico, consequente da sensação mais etérea da esfera do viver.
Disse o mundo: somente o verbo rir é capaz de frases tão felizes e engraçadas. Só ele tem o poder de novas transitividades: eu rio novos afluentes quando amo; eu rio um amor tão puro a ponto de ver que os pássaros aqui querem beber; eu rio cascatas sempre quando desata qualquer dor a partir; eu rio tudo para nada secar.
Eu rio a palavra boa, desafeita das malícias provincianas; eu rio o horizonte laranja, aplaudindo a gratidão por sempre recomeçar; eu rio a frutificação dos campos; eu rio a solidariedade por entender que a força só faz sentido sendo caridosa.
E ela ri a música, quando eu rio o início dos versos; rimos as letras mais sonoras e o peito brilha a estrofe que nos ata, aquela no máximo volume em nossos quintais. Rimos os sons e emudecemos as rusgas rancorosas.
Um rio de amor hidrata dois afluentes que merecem se encontrar. São simples nascentes e – pelo poder da conjugação – passam a gerar novos seres advindos do poder miraculoso do máximo estado de paz.
Rios que respeitam as margens alheias vão juntos ao encontro do mar; vão juntos ao infinito aquífero, dando lugar a outras nascentes que também chegarão lá.
Se rio, flui. Se rimos, fluímos. Rumamos rio afora, conduzidos pela corrente do amar.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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08 de março, 2018

8 DE MARÇO

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Reluzente é a data da vibração romântica – terna e tocante – intitulada Mulher. O Dia Internacional dEla é a celebração de “por um mundo melhor”.
É um lembrete à importância de compreender a dor alheia – pois o ser feminino (em meio às pedradas do viver) não se cansa de dizer quão rude é caçoar, e que dar as mãos é vestir-se do bem.
É este dia o emocionar-se por não haver desistência do perdão, nas estradas humildes do trabalho árduo, fino, elegante, com qualidade e liderança, o qual traz tanto aprendizado ao homem que nEla se espelha. Um bom homem fora do lar quer fazer o que a mulher lá ensina; quando consegue chegar próximo, é alvo de elogios: “Como você foi humano!”, “Parabéns pela sensibilidade!”, “Sua disciplina é uma imensa força!”.
O 8 de março é a festa do abraço, do acolhimento impecável das mãos fábricas de fraternidade, das mãos amigas, íntegras, daquelas que acalentam porque o gesto bondoso é o motivo de tudo.
Ouvidos de mulher estão sempre atentos, têm a habilidade de saber rápido o que convém, o que não convém. Alma feminina entende mais afeto e caráter.
Antes de ser mãe, Ela é mulher, e – por ser assim – tem o poder de reconstruir as novas gerações. Indaga muito; por isso, aprende mais. Aprende rápido, mas sabe controlar o tempo. É grata, não economiza um “obrigada!”. É curiosa por novas poesias, e jamais tem receio da lágrima em público. Respeita o espaço alheio. Bonita por natureza, aplaude o nascer do sol, porque sabe o real significado do verbo brilhar.
Um mundo sem Mulher seria um estado sem constituição. Não haveria ordem, o caos estaria instalado em universidades, palcos e livrarias. O saber não teria lógica alguma, e o entendimento seria apenas um termo não dicionarizado.
Sem mulher, o romantismo é leito seco de rio; com ela, é a mais frutífera fonte de toda esta natureza divina.
Se há arte, há mulher.
Se há aplauso, há ação feminina e geométrica de sua destreza.
Se muito próximo houver a igualdade e não violência contra essa maiúscula Força, o mundo nosso será feito de trezentos e sessenta e cinco “8 de março”.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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29 de janeiro, 2018

RAMAR

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Tinha a mania de olhar as palavras invertidas. Idolatrava a mania de perceber a mensagem de outra forma. Foi assim com o verbo amar – via logo rama. Pensava se existiria a palavra, corria até o dicionário e… pá!
Rama: conjunto dos ramos e folhagens das árvores e plantas. Remete às variações ramada; ramagem, ramalheira, ramaria.
Após o gesto inquieto, ligava a música alta e começava a cultivar neologismos e trocadilhos sentimentais.
Ramada seria a amada diante das águas perfumadas a desenrolarem o milagre da vida em banho na cachoeira. Incutia em seu cérebro léxicos que traduziam a vida: ramar seria estar em banho de liberdade; ramada seria um particípio de suas folhagens mais íntimas e entregues à invenção de um novo mundo.
Ramaria, de agora em diante, sempre que fosse possível, porque palavra filha de amar só poderia gerar bons pensamentos e um infinito viver. Ramaria todos em sua volta, semeando o novo riso, entendendo a nova estrada indicada apenas aos quem concordar com a percepção pura de quem leva a vida a recriar.
Ramalheira? Pensava: dá verbo indireto também, justamente a quem amo. Pensava de novo. Saía: rama-lhe. Ramo-lhe mais que tudo, mais que todos, mais que a superfície psicológica possa diagnosticar. Ramo-lhe, sob o ponto de vista gramatical, seria criar uma ramada verde a quem se ama. Seria fazer com que cresça o campo mais puro já visto nesta Terra. Sendo lugar assim, não haveria poda, não haveria desmatamento, não haveria preocupação com possíveis focos de destruição.
Ramaria a você, sob céu azul com um aparato de cantos de sabiás, hidratando-se de nascentes frescas, tomando do potável, deitando-se à calmaria rejuvenescedora da paisagem que inventamos quando cedemos à mania do peito.
Tinha a obsessão por observar diferente palavras, assim como a vida, sob nova perspectiva – no intuito de versificar a magia do viver. Detinha o prazer veemente de entender mais e mais como é bonito ser um neologista das coisas jamais findas.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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