12 de dezembro, 2016

aceita uma taça de vinho?

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Aceita uma taça de vinho?

um brinde extraordinário
bem lento
para não ter sentir medo de a garrafa acabar

jogaremos conversa fora
falaremos do croissant da padoca
de fotografias escolares
de peças estranhas
de filmes marcantes
de dias bizarros
de fantasias sexuais
talvez de amor

Aceita uma taça de vinho
nunca estive tão sozinho
com a vida a limpo
numa felicidade surreal

Colocarei o disco de Sarah Vaughan
aumentarei chiados secretos
silenciando toda a dor

Com o convite aceito
lerei Neruda
cantarei Chico
as sutilezas de Cecília
carícias de Machado
crônicas de Carpinejar

Já faz tempo que guardo uma garrafa
que clama pela abertura
volta e meia
ela convida tua ternura
que daqui não pode se ausentar

Se não for o que desejo
dir-me-ei satisfeito
por sentir apenas o cheiro do teu peito
que de mim não sai jamais

Aceita uma taça de vinho, vai!

DIOGO ARRAIS

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12 de dezembro, 2016

Transposição

 

 

            O amor nos transpõe. Leva-nos para o parque, senta-nos abaixo das árvores, sentindo o frescor do vento na face, ouvindo os pássaros saudarem a vida, coreografando o sagrado dom da liberdade.

            É o amor a transposição para o mar. Dançamos com o vaivém das ondas, mergulhamos profundamente na maré filtrada de emoções. Amando, somos tão doces quanto os golfinhos; somos belos, irretocáveis e harmônicos como corais.

            Assim vivendo, abaixamos o volume dos erros, e aumentamos o refrão sentimental. Presenteamos a audição com o que, de fato, importa: carinho, perdão, gentileza, confissão, gratidão.

            Um homem que ama precisa falar pouco, porque o que sente é acima de qualquer palavra. É alguém que se derrama de alegria por ter sido transposto para o habitat da paz, da calmaria, da serenidade, da água límpida.

            Não há recompensa maior no mundo que a viagem proporcionada pelo amor.

            DIOGO ARRAIS

            youtube.com/mesmapoesia

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05 de dezembro, 2016

Valentia

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Valentia mesmo
é degustar um verso por inteiro
é deitar-se apaziguado
é viver sem estar enclausurado
é conjugar sem medo do errado
é beijar seu cheiro

Valentia mesmo
é aplaudir o afinado
é enfrentar o desconcertante
do mundo errante (posto que apaixonante)
em busca de significado

Valentia mesmo
é se entregar na íntegra
é querer ser água límpida
para tê-la feliz ao meu lado

Valentia mesmo
é correr pelos campos
é entender duas formigas
que são como eternas amigas
em labor sincronizado

É ser latido
É ser mugido
É ser cacarejo
É ser grunhido
Jamais calado

Valentia
é estado de sinfonia
uma espécie de magia
quando se cheira à alegria
havendo o simples maravilhado

DIOGO ARRAIS
www.youtube.com/mesmapoesia

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