12 de abril, 2017

TEMPORAL

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Viver é como estar diante de chuva
Cada gota, um sentimento
saudade
carinho
rancor
angústia
emoção
receio
felicidade
solidão

Na densa nuvem, o vento alerta sobre compreensão
a caridade hidrata a compreensão
vêm raios
gritos
urros
gra
ti
dão
!

Com o sol, o esvair-se de pensamentos
a vestimenta aos poucos a secar
os olhos já podendo ver
a multidão no ponto
à espera da
condução de amor
pós-chuva nesta vida-estação

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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06 de abril, 2017

O amor é

Como se eu pudesse voar
Quando o céu puder tocar
Como se o vento fosse falar
Quando a chuva vier abraçar

O amor é

Como se nossos olhos dançassem
Como se nossos números se somassem
Como se tudo, mais que a verdade, fantasiasse
Como se o sempre, agora, se tornasse

O amor é

Como se a sinfonia sorrisse
Quando o peito não respirar mesmice
Como se, sobre o lençol, a rosa surgisse
Quando, enfim, você meu sim pedisse

DIOGO ARRAIS

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05 de abril, 2017

NO TRÂNSITO DO AMOR

coração

Havendo dois caminhos, só escolhe o mais difícil quem não conhece o endereço. Ninguém tem a pretensão de ficar em engarrafamentos, ouvir buzinaço, sentir a poluição, passar por mais semáforos, parar a cada instante diante de uma nova faixa de pedestres.
O condutor de um automóvel, com o tempo, passa a conhecer atalhos; vangloria-se sempre por conseguir driblar até mesmo o mapa eletrônico dos celulares; comemora com gritos fortes tantos carros que deixou para trás.
Inversamente proporcional é o coração e suas ruas. Com o tempo, os atalhos vão sumindo; os engarrafamentos são praticamente inexistentes; a poluição está apenas no olhar do outro; não são necessários semáforos, contudo os que existem ficam sempre na cor verde.
No trânsito do amor maduro, a questão é justamente ir pelo caminho mais longo. Rezam até para que nunca acabe – alguns redigem nos muros da aorta que seja eterno enquanto dure.
Nesse ir e vir de doação sanguinária, não é preciso fiscal, pois ninguém está sujeito a multa, simplesmente por ter estacionado onde quiser. Não há lugar de proibição, não há problema de espaço, estar junto é o sentido.
Lá, onde o éden se fez, não se usa a expressão Imposto para Tal Qual dos Veiculares. Os sorrisos calmos são a resposta para os que chegam ainda afobados do capitalismo: tudo é gratuito, a serventia não é escravatura, a malícia é extinta. Transitar com o amor maduro é ter o vento puro, na face a se emocionar sem culpa.
Nesse lugar, em que todos os seres humanos estão ou estarão, o ato de locomover-se não precisa pensar em blindagem; as janelas abrem-se propositalmente a quem chegar. As portas estão sempre destrancadas, uma vez que esse é o sentido da vida: oferecer carona, mesmo que você nunca possa precisar do outro.
Quem transita amando não precisou de escola para guiar, não fez provas para obter uma carteira de habilitação, pois amar não exige blitz.

DIOGO ARRAIS

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