17 de agosto, 2016

O CANALHA DOS TEMPOS MODERNOS

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Sabe aquele cara que você odeia justamente por ter sumido da sua vida? Ele pode não ser tão canalha como você pensa. Pode, sim, ter sido o cidadão mais respeitoso de todos os tempos.
É fato: o silêncio faz parte da maioria dos homens com menos de 30 anos. Timidez, prioridade à vida profissional, imaturidade são alguns dos fatores que levam bons pretendentes a fugir da relação séria. Seriedade para gente séria exige um momento específico.
Por mais clichê que seja, é importante salientar que homens não têm o mesmo tempo da maturidade feminina; não são tão abertos e, quando ultratímidos, o silêncio é e será questão de honra. Homens só aprendem a verdadeira noção de sinceridade com o decorrer da vida.
Uma dúvida: você preferiria se encontrar com um cara que fugiu do compromisso, ou com um cara que traiu?
Mulheres são tão mais evoluídas que dirão: prefiro nenhum dos dois. No entanto, na condição de ser – normalmente – mais maduro, é curioso entender que você, mulher, encontrará muitos homens assim.
Você, por exemplo, já imaginou que um cara “foge” por ter vergonha da disparidade do grau evolutivo (perante o Amor) de vocês dois. Isso já aconteceu com este escritor aprendiz; já aconteceu mais de uma vez comigo!
“Por que o silêncio se o cara tem boca?” – questionaria seu coração feminino. Reflita comigo: por que alguém, mesmo com braço, morre afogado?
Um cara não pode ser considerado canalha por não ser hábil naquilo que você pensa. Canalha, para mim, nem será descoberto como tal. Ele sempre come fora, paga a conta, e ninguém sabe. E goza bonito dos conceitos sociais. Até que se prove o contrário, o canalha não descoberto é um “alfa”.
Sabe aquele cara que está hoje sozinho e calado? Cuidado: ele não está necessariamente triste ou solitário. Ele pode ter exatamente o cuidado de não ferir o coração alheio, e de falar somente o necessário. E isso é muito diferente de canalhice: é respeito, educação, caráter.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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15 de agosto, 2016

INFIEL, EU QUERO VER VOCÊ MORAR NUM MOTEL

Infiel-nova-música-de-Marília-Mendonça.-Leia

“Infiel
Eu quero ver você morar num motel
Estou te expulsando do meu coração
Assuma as consequências dessa traição”
(Marília Mendonça)

Ele não aguenta. Entra em colapso. Vai emagrecer e chorar feito palito de plástico derretido. Vai dizer que errou e que vai mudar. Já era.
Muitos caras por aí creem que “pedir em casamento” é, por si só, sinônimo de valentia e compromisso. É gesto romântico, sem dúvida, mas nobreza mesmo só virá com o tempo. O esposo autêntico respeita o altar do dia a dia.
Ele respeita a segunda-feira azeda dela. Respeita indisposição e manias. O afeito ao companheirismo sorri sem o deboche. Pergunta, pergunta e abraça sua esposa (antes de tudo amiga) por meio da audição. Faz um café e se vê na situação.
O esposo autêntico compreende. Tira dúvidas. Diz “perdão!”.
O esposo autêntico não pretende atingir tons superiores de voz, porque sabe que a vida conjugal não é dupla sertaneja (um rasgando a voz e o outro soprando submissões).
O esposo autêntico procura estudar e praticar ações. Expõe seus erros, desejos (até mesmo os sexuais), ânsias. Age à altura. Afinal de contas, a relação ideal é feita de reciprocidade, ida e volta. Sem exigência, mas com o pedido coerente à ação.
O esposo autêntico não é aquele que explode em mesa de bar, em bebedeiras intermináveis de fuga.
Quando autêntico não é, inconsciente do compromisso estabelecido, estoura o som das caixas, sai à caça para se matar. Suicida-se vendo o coração se espatifar. Torna-se ingênuo consigo. Vive a poligamia descamisada. Morre menor que seu pinto.
Sabe o que ele dirá quando a casa cair? “É difícil casar todos os dias!”
Sim, meu caro, porque no casamento do dia a dia, não há mais cerimonial, os fotógrafos se foram, o coral já levou os violinos, a lua de mel já foi saboreada.
O casamento do dia a dia sugere um bilhete de bom-dia sobre o travesseiro; sugere uma caminhada a dois no parque, para ver o por do sol amanhecer sentimentos; sugere uma valsa surpresa na sala de estar.
Bem-casado não pode ser apenas um docinho ao final de uma noite em que o riso solto é fácil.
Assuma, agora, as consequências dessa traição. Meus sentimentos!

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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12 de agosto, 2016

o mau cheiro do ralo machista já passou?

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– De onde vem esse mau cheiro aqui em casa, mulher?
– Vem do seu ralo, amor!
– Como assim? Deixa de brincadeira e conta logo.
– Vou contar. A história começa assim:

Lembra as tantas vezes que você vociferava quando acordava e o café não estava pronto? Lembra as tantas vezes que reclamava de mínimos amassados nas suas camisas sociais? Lembra que seu afazer era acariciar sofá e os meus eram afazeres sem-fim?
Lembra as tantas vezes que você exigia uma roupinha mais sensual, porque queria me dar uma chicotada na cama?
Lembra o mau cheiro aqui em casa quando você bateu em nosso filho que brincava de dançar? Lembra o mau cheiro em casa quando, nas suas bebedeiras, chegou sujo de batom e disse que era besteira minha?
Lembra quando deixava de entregar chefias a mulheres na empresa, por você repudiar gravidez delas. Não lembra? A cada dia, ficava mais incontrolável o seu cheiro. Eu não tinha como mais esconder a carniça que estava se tornando.
Com a sua falsa ideologia de líder que ordenava minha pele maquiada, não me permitia opinar sobre esportes; debochava de meus passados, debochava de meus colegas gays da faculdade (aliás, não sei se recorda daquela promessa para não ter um filho gay). Não me deixou ter um personal trainer homem. Reclamava do meu cabelo curto. E o mau cheiro de seu ralo ficava cada vez mais nítido.
Não se recorda do seu dar tapas nos sobrinhos, dizendo que macho não chora? De questionar-lhes se estavam dando um trato na mulherada? Não se recorda de quando ensinava aos meninos que o lance é comer, desprezar e vazar? Como você gozava e seu cheiro aumentava. Seus cômodos iam se abarrotando de machismo.
Não se recorda de ter chamado a afilhada de puta, quando ela foi expulsa do colégio por uma suspeita de lesbianismo? Não se recorda de quando tapou a minha boca quando soube que eu conhecera a masturbação? Não se recorda de quando tirou o dedo do meio, enquanto passava a Marcha das Vadias, na avenida Paulista?
De uma coisa eu sei que você se recorda: anteontem, você disse que a saltadora brasileira tinha que ser punida por ter supostamente transado nas Olimpíadas e por não ter honrado a nação.
Tudo isso, ao longo de todos esses anos, se acumulou no seu ralo. A limpeza exige tempo. Vem de dentro. Exige compreensão e vontade.
Não há, amor, nenhum machismo, no mundo inteiro, que reúna cheiro agradável.
Mesmo diante de tudo, estou aqui para te ajudar. Se me entender, estou aberta a perdoar. Porque, você sabe, o mau cheiro do ralo incomoda. Demais.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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