07 de dezembro, 2017

VIOLÃO

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Acordar como acorda o violão
amanhecendo notas
desenhando frases
sorrindo a um novo refrão

Fazendo arte
Criando música
Decorando coração

Acalmando versos
Suspirando histórias
Navegando no mar-paixão

Na vida
No amor
No dia
acordar feito violão

@DIOGOARRAIS

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05 de dezembro, 2017

que horas são

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que horas são?, desculpa, já não quero saber, o tempo acabou de parar aqui, já não tem mais importância, é desprezo o movimento de rotação dos ponteiros, dos segundos ensandecidos, dos badalares dos sinos em algum lugar do mundo, já não envelheço, tampouco tenho a intensificação de meus cabelos brancos, não preciso me preocupar com aposentadoria, com depósito de parte do meu pobre salário, jogarei meus relógios fora, todos eram falsos, porque eu sempre odiei ter horas verdadeiras, envelhecer é uma desgraça ao sol do meio-dia em uma praça tórrida de Dubai, apesar de respeitar a visão de alguns semifilósofos de que o tempo é o senhor da razão, eu sempre argumento que o melhor momento é o tal do agora, imagine!, tudo é agora, não existe ontem, nem amanhã, apenas o “stop!” agora, ei! agora!, nada mais, seria muito mais astral, não haveria aquela inquietação de ter que se preocupar, ansiar-se seria igualmente inexistente, a vida, uma espécie de vácuo, o amor pautado pelo agora, tudo seria construído pelo já, ninguém iria embora, nenhum produto perderia validade, espera não ocorreria, nem as filas chatas no supermercado, tampouco no trânsito e num piscar de olhos seria a existência.
às vezes ando me questionando mesmo o que é o tempo, se ele de fato existe ou se os homens inventaram-no a fim de não entendermos as brevidades de fatos e ações.
com a ciência do tempo, muitos nem mesmo hão de pensar na poesia, outros só dirão que é preciso pensar no futuro, e gente muito invejosa da pseudofuncionalidade dos calendários dirá que somos e estamos em futuro, uma ova! não há atraso, atrasado é um rebelde nato, um artista temporal, atrasar-se é uma maneira de ir de encontro aos rótulos britânicos de ou diminutos, antecipar-se – então – é uma das mais nobres formas de dar de bananas às convenções, é como quem dorme mais ironizando o tempo: é um literato das cobertas, porque sabe ele que o tempo é relativo.

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30 de novembro, 2017

o primeiro homem a vencer o vazio

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nunca se vá, nunca se despeça, mas se chegar a hora, saia de fininho, apague a luz, mas à francesa, não me deixe vê-la, não me faça sofrer, não quero abraços finais, não quero bilhetes tórridos de dor, não quero ter que ficar a observar o horizonte e pensar na vida pós-ida sua, porque qualquer um sabe que despedidas são sanguinárias, são navalhas afiadas diante do coração a pulsar, são como crianças solitárias esquecidas na escola após o fim da aula, são como cachorros encoleirados na porta do supermercado, são paisagens cinzentas que clamam pelo sol, é como sentir-se sozinho na festa de ano-novo, é querer e não poder, é sofrer em reticências que não acabam, é trabalhar sem nunca ter férias, é ver o mar e não poder se banhar, é ter a palavra de amor sem ninguém a ouvi-la, é – e você sabe – um sofrimento desgraçado o tal do desprender-se do laço sentimental, não nascemos para isso, não fomos concebidos para estar longe de ninguém, nunca houve na história desta carne de duas patas mamíferas uma sociedade de alguém só, nunca houve na literatura o registro de um romance assexuado, monossilábico, solitário, em monólogo, não, nunca houve, e é melhor mesmo que não haja, pois não podemos alimentar a canalhice dos que se vangloriam por não ter de dividir absolutamente nada com ninguém, os famosos egoístas indivisíveis, de mármore na poesia semiexistente, e também por isso eu imploro mais uma vez não ter que dar tchau! para justamente não sentir o oposto do mundo, que é ter que se virar tão-somente sozinho, é melhor que eu me engane e toque a campainha, abrace o vento e o travesseiro, tendo a imaginação de cada curva sua, de cada gesto de carinho, de seu amor eterno, pois já disse a todos os meus amigos que serei o primeiro homem a vencer o vazio da solidão.

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