08 de fevereiro, 2017

Apaixone-se

couple-731890_960_720

Nos meus lembretes, sempre deixo grafado: apaixone-se. Sem medo, sem culpa, sem a necessária espera por resposta. Faz um bem danado usar as palavras para representar o que de mais belo temos: sentimento.
Apaixonar-se pela vida, pelo céu azul, pelo canto do pássaro, pelo riso da morena na esquina, pelo abraço de mãe. Apaixonar-se por nossos sonhos, por nosso lar, por nosso travesseiro, por nossa mania de “felizes enquanto dure!”.
Os destemidos em relação à paixão são ainda mais fortes, traspassam a timidez da declaração, adoram ser desafiados, plantam rosas em terrenos atípicos e colhem amores – até então – inusitados.
Sabe uma coisa? É uma enorme qualidade “não estar nem aí” para o que os outros vão pensar. Afinal de contas, cada um tem seu momento, sua dor, sua estação (alguns invernos, outros verões). Na maioria das vezes, não compreenderão como você sente. O famoso ser “desencanado” nutre primeiramente sua felicidade; sendo feliz, será forte o suficiente para surpreender (e até mesmo mudar) todo o mundo ao seu redor.
Quem se apaixona consegue fazer do instante de amor a maior das lentidões, pois não despreza momentos, situações, diálogos. Nota cheiros, acaricia palavras, tem a educação de ouvir o quanto for necessário.
O apaixonado admira a emoção; é devoto do verbo apreciar. Canta intensamente uma música antiga do U2, é fã de Renato Russo, cantarola um samba de Cartola, arrepia-se com a afinação de Winehouse, ajoelha-se em frente à nobreza do Queen. O apaixonado não segura o choro quando passa uma música boa no rádio.
Nos meus lembretes, também deixo sempre grafado: apaixonar-se é um constante renascer.

DIOGO ARRAIS

Compartilhe este texto
2 Comentários
20 de janeiro, 2017

Ouço Tendo a Lua

girl-1970233_960_720

Ouço Tendo a Lua

Comemoro
Longo instante
Dormirei sendo abraçado
Cabeleira loira sua

Pernas trançadas
Celulares desligados
Corpos conectados
Um quarto, um mundo nosso

Raiz entrelaçada
Base do abrigo
Sustento
Do fruto, o início

Lábios colados
Volume Máximo
Decorada alegria
O edredom, gramado nosso

Loira
Lua
Luminosa
Lascívia
Libido
Léxico

Linda
Levita
Louca
Liga
Liberdade
Lógica

Lar, lar, eu e você, laialará!

DIOGOARRRAIS

Compartilhe este texto
0 Comentários
20 de janeiro, 2017

O DIA DO ESCLARECIMENTO FINAL

dawn-1867390_960_720

Quem ama viverá o Dia do Esclarecimento Final. Pode ser hoje, pode ser amanhã, pode ser daqui a muitos anos. Um dia, a pessoa amada receberá um baú com todos os cadernos documentados pela escrita sentimental. Ela verá cada sonho de amor, a que ponto era bem-quista, as expectativas para o futuro. Esse dia será de muita surpresa, saudade e emoção.
Nesse dia, verá descrita minuciosamente a felicidade do primeiro beijo; a gratidão pela existência, a admiração pelo dia a dia conjugal. Verá descrita a emoção da viagem, num entardecer qualquer, para a cidadezinha do interior. Vai se espantar ao ver (por meio dos versos) as quatro mãos, olhos frente a frente, em perfeitos retratos.
Aberto o baú do Esclarecimento Final, a pessoa amada sentirá o aroma doce das sílabas, que se reportavam à sua presença, às suas mensagens e ligações telefônicas. Ela sentirá o cheio do suspiro pontual em tantos beijos nus.
Saberá ainda mais a força da intenção amorosa. Verá como quem ama sempre teve sede de aprendizados, porque quis e quer ter visão madura de mundo.
Passadas algumas páginas, sentirá como as brigas foram episódios amenos. Ela se lembrará da reciprocidade das desculpas, dos perdões, porque casal feliz faz questão do saudável: sem culpa, sem medo, sem pressa, sem mentira, sem posse.
No Dia do Esclarecimento Final, é preciso que ela esteja sentada, pois com toda a certeza do mundo o surpreendente do mais puro fará nascer as lágrimas mais límpidas que o corpo conseguirá produzir. Cada página dos cadernos sentimentais, com tamanha letra cuidadosa, seguiu a caligrafia e o idioma da alma. Nessa hora, a pessoa amada fará carícias nos pontos, nos verbos, nas vírgulas. Parará um pouco, olhará para o céu, sorrirá para a margarida que brotou entre as pedras. Sentirá como sua vida, na dos outros, foi marcante.
O Dia do Esclarecimento Final é uma questão de justiça a quem cultivou o bem, a quem se entregou, a quem ficou horas pensando em mensagens sinceras, a quem enviou fotografias com legendas tórridas de paixão. Afinal de contas, conviver é escrever história.
Somos frágeis, porque somos humanos. Somos mais frágeis ainda, quando não damos tanta atenção à palavra do outro. Por tudo isso, nada mais justo e emocionante que sentir novamente os melhores dias, lendo o Esclarecimento Final.
Pode ser hoje, pode ser amanhã, mas esse dia chegará.

DIOGO ARRAIS – para o meu blog mesmapoesia.com.br

Compartilhe este texto
0 Comentários
...34567...102030...