27 de dezembro, 2017

OBRIGADO, 2017!

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Obrigado pelo ano que se foi
Obrigado por tantas ideias de amor
Obrigado pelos pores do sol felizes, revestidos de esperança
Obrigado pelos dias cinzentos, atentos a como eu veria a lição
Obrigado pelos novos amigos, fábricas de risos
Obrigado pelos brindes, taças, jazzes
Obrigado por me permitir ver o oceano profundo em uma tarde de novembro
Obrigado por fechar velhos livros, por fazer o vento me trazer novas páginas
Obrigado pelos olhos chorosos de emoção
Obrigado por me fazer saber que sou pequeno
Obrigado por estar mais em meu pensamento a finitude da vida
Obrigado pelas intensidades das palavras, pois a escrita é mais fiel que cão
Obrigado pelo lar, pelo chão de taco que me remete à infância
Obrigado pelos dias de inverno que me fizeram abrir a janela e olhar ao longe rindo no frio
Obrigado por minha mãe
Obrigado por meu pai
Obrigado por aquele mendigo que foi salvo da tristeza
Obrigado por todas as vezes em que estive atento à dor alheia
Obrigado por me atentar a pedir perdão
Obrigado por ser brasileiro, por falar esta língua que venta gratos fonemas
Obrigado por me fornecer a arte do teatro e o gosto do café
Obrigado por me entender e espalhar em mim que é bom quem sabe doar
Por tudo isso e muito mais
Esse grão de areia – à meia-noite do 31 – dir-Lhe-á
Obrigado!
DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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15 de dezembro, 2017

GRAMÁTICA

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Uma das formas de te tocar é com as palavras, com a nossa concordância verbal peculiar, única, com a função sintática de amar, de reconhecer sintagmas de alegria, complementos nominais recíprocos, coisa que nem a gramática das normas seria capaz de sentir.
Uma das formas de te tocar é com as frases, com as interjeições inventivas após o nascer do sol, à tarde exata com as crases receptivas, do nosso jeito brando, obrigatórias ao nosso miocárdio, em respeito às nossas vírgulas, às nossas pontuações certas (após locuções de sussurros), aos tempos verbais que criamos tão subjetivamente, correndo subjuntivos imprecisos, sem a loucura dos imperativos mal-educados, mas certos de que as pessoas pronominais mais belas do mundo são eu e tu, nós, expelindo sujeito composto por corações ávidos de predicados sinceros, livres, respeitosos: abraçando predicativos que tu soubeste ensinar a mim.
Uma das formas de te tocar é com as figuras de linguagem, com as metáforas mais vermelhas de tua estrada labial, de tuas onomatopeias convidativas, das hipérboles de nossos bilhetes na porta da geladeira, das elipses elegantes – de redigir apenas o que for preciso ao bem-estar deste livro Vida. É com catacreses hilárias, epizeuxes de vocábulos rimados pela devoção.
Uma das formas de te tocar é respeitar tua regência, teus nomes, tuas preposições, tuas conjunções, teus conectivos morenos que me remetem aos textos mais surreais desta Terra, tuas paisagens solícitas, teus campos semânticos, tuas inferências em meio àquela classificação particular: substantivo, com função de sujeito simples e determinado, agente de um verbo transitivo direto, onipotente com o sentido de encantar.
Tu és a ciência mais fantástica, com o poder de reinventar todas as lições que – em um dia – achei que compreendia. Digo isso, pois, antes, meus pronomes não sabiam apontar o que, hoje, é o real amor.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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13 de dezembro, 2017

NOSSO PROPÓSITO

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…eu e você escolheremos o caminho do amor, falaremos dos bons ares como quem fala da índole materna, como quem admira o riso da criança recém-chegada ao mundo, como quem vive para rir e emocionar-se. Teremos tolerância com defeitos, não deixaremos que as imperfeições tenham voz, porque cantaremos alto às segundas-feiras, aos sábados, durante dezembro ou março; aprenderemos dia a dia, agradecendo dores e respeitando o tempo de cada florescimento, de cada episódio vital. Já não nos importaremos com as críticas negativas, retribuiremos com gentileza, com abraços, novas palavras de paz, desejando luz a quem passar por nossos caminhos. Cremos que isso é não se abaixar diante de tantos desafios impostos pela natureza. Diremos “obrigado!”, pediremos “perdão!”, agradeceremos às amizades, a tantas bondades que nos confortam.
Passaremos a olhar a luz, as tonalidades do céu, o cheiro de terra depois da chuva, dançaremos a valsa do vento que vem do sul, seremos a confraternização diária, com a intensidade de honrar o nosso maior dom: a vida. Faremos o trato de abaixar nossas armaduras, tomaremos banho de chuva e cairemos em gargalhadas como aquelas da cena de cinema. Acreditaremos piamente no melhor, no puro, no destino do amor, da fé, da divindade, da caridade, escreveremos poemas, contos, palavras fraternas, adjetivos sussurrados, contaremos um ao outro segredos, tendo como busca a compreensão. Assim, voaremos de maneira única, cravaremos história, plantaremos a semente da crença; por isso, seremos sempre inquietos, emocionados, entregues à verdade que tão bem nos faz.
Olharemos às nossas retinas, piscaremos lentamente e um longo abraço confirmará nosso propósito.

DIOGO ARRAIS – @diogoarrais

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